Uma bomba chamada BRB: risco de dilapidação patrimonial alarma Câmara e pressiona Ibaneis


 

Estudo da Consultoria Legislativa aponta fragilidades graves no projeto de socorro ao banco; oposição vê ameaça ao patrimônio público, enquanto governo tenta blindar a operação.

O Banco de Brasília (BRB) virou o epicentro de uma das maiores crises financeiras recentes no Distrito Federal. Após transações malsucedidas com o Banco Master — que geraram perdas bilionárias e até bloqueio judicial de R$ 376,4 milhões em ações do BRB —, o governo Ibaneis Rocha (MDB) enviou à Câmara Legislativa um projeto de lei para autorizar o uso de nove imóveis públicos como garantia em empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. A ideia é reforçar o patrimônio do banco, que planeja emitir até 1,67 bilhão de novas ações para captar entre R$ 529 milhões e R$ 8,86 bilhões, elevando seu capital social de R$ 2,34 bilhões atuais para até R$ 11,2 bilhões.

A Consultoria Legislativa da CLDF (Conlegis), em análise técnica encomendada por deputados como Fábio Félix (PSOL), Jorge Vianna (PSD) e Pepa (PP), não poupou críticas: o projeto tem “fragilidades de governança fiscal e transparência”, ausência de estimativas de impacto orçamentário, avaliação patrimonial e compatibilidade com leis fiscais. O risco apontado é claro — “dilapidação do patrimônio público” —, pois os imóveis (incluindo lotes da Caesb, CEB, Novacap, Terracap e o abandonado Centro Administrativo em Taguatinga) poderiam ser vendidos ou perdidos em caso de calote no empréstimo. A recomendação é taxativa: o texto é inadequado e exige mais informações do governo.

A vice-governadora Celina Leão (PP) saiu em defesa, afirmando que “os imóveis não serão vendidos” e que o projeto cria apenas um “arcabouço” de garantia para empréstimo, sem retirada imediata de recursos. No entanto, o próprio texto prevê expressamente alienação (venda) e outras formas de uso, o que abre brecha para interpretações. Hipoteticamente, se o BRB não honrar compromissos futuros, o DF poderia perder ativos valiosos que serviriam para escolas, hospitais ou equipamentos públicos — um cenário que, nos bastidores, alimenta acusações de que o socorro ao banco estaria priorizando a estabilidade eleitoral da chapa Ibaneis-Celina em 2026.

A resistência não se limita à oposição: até aliados questionam a pressa e a falta de transparência. A votação, inicialmente prevista para fevereiro, foi adiada, e o presidente do BRB, Nelson de Souza, foi convocado para explicar detalhes na CLDF. Enquanto isso, o banco busca captar no mercado via ações e empréstimos (inclusive com o Fundo Garantidor de Crédito), mas o rombo herdado do Master transforma um problema de patrimônio em risco de liquidez — e, quem sabe, em desgaste político maior se mais rachaduras na base governista aparecerem.

No tabuleiro brasiliense, crises financeiras como essa raramente ficam isoladas: elas aceleram descontentamentos e realinhamentos. Se o projeto passar sem ajustes robustos, pode reforçar a narrativa de que o patrimônio público está sendo usado como moeda de troca para salvar uma instituição estratégica. Se for barrado ou muito alterado, o BRB corre risco de enfraquecimento, o que também respingaria no governo. De qualquer forma, a “bomba BRB” já está detonando — e os ecos devem chegar até outubro de 2026.

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