Um ano após um homem ter sido encontrado morto a facadas dentro de uma barraca no Burning Man — o festival anual de contracultura que reúne multidão em deserto de Nevada (EUA) — o crime continua um mistério. A edição desde ano já começou (de 30 de agosto a 7 de setembro), mas investigadores ainda não conseguem esclarecer as últimas horas antes do homicídio que abalou o espírito libertário do evento. Nenhuma prisão foi feita desde então..
Vadim Kruglov, um homem de 37 anos nascido na Rússia que vivia no estado de Washington, foi encontrado numa poça de sangue no festival no Deserto de Black Rock por volta das 21h15 de 30 de agosto de 2025, enquanto a icônica estátua do “Homem” (do nome do festival) queimava.
Novos detalhes sobre o assassinato e os últimos dias de Vadim estão surgindo por meio da emissora KTLA e de uma investigação de um ano do crime realizada pelo site “SFGATE”, que entrevistou mais de 80 pessoas ligadas ao russo ou ao festival, que atrai até 80 mil participantes, conhecidos como “burners” e tem como um dos principais destaques o Domo da Orgia.
Foliões em Black Rock City, sede do Burning Man, em Nevada (EUA)
Reprodução/X
Os investigadores acreditam que Vadim foi morto dentro da barraca vermelha e branca onde seu corpo foi encontrado, disse o sargento Nathan Carmichael, do Gabinete do Xerife do Condado de Pershing, ao “SFGATE”. Uma faca permaneceu cravada no seu pescoço, e a autópsia não revelou ferimentos de defesa, sugerindo que ele teve pouca ou nenhuma chance de reagir, segundo o veículo.
“Quando você é esfaqueado da maneira como ele foi, você perde a consciência em segundos”, acrescentou o sargento.
A arma forneceu vários perfis de DNA, revelou o então detetive do condado de Pershing, Josh Nicholson.
A cidade temporária erguida em deserto de Nevada para o Burning Man
Reprodução
O celular de Vadim também foi recuperado, mas não havia sido desbloqueado à época da entrevista de Nicholson, informou o site.
Uma das maiores questões sem resposta diz respeito às cerca de quatro horas entre a morte e o momento em que Vadim foi encontrado.
Os “Black Rock Rangers” — participantes do festival que auxiliam outras pessoas em necessidade — teriam levado o russo ao Rampart, um hospital temporário instalado no local do evento, onde ele passou grande parte do dia 30 de agosto e recebeu atendimento médico. Ele foi liberado por volta das 17h, mas os investigadores não divulgaram informações sobre seus movimentos entre esse horário e 21h14, quando ele foi encontrado com o ferimento fatal. Mais cedo naquela manhã, por volta das 2h, Vadim teria sido visto atuando como DJ ao lado de dois homens num acampamento nos arredores do festival, não muito longe de onde o seu corpo seria encontrado mais tarde.
As autoridades não conseguiram identificaram esses homens, apesar de terem recebido centenas de pistas, segundo a KTLA.
Vadim Kruglov tinha 37 anos
Reprodução
Amigos e colegas de acampamento também relataram comportamentos preocupantes nos dias que antecederam a morte. Eles disseram ao “SFGATE” que Vadim ficou cada vez mais paranoico após consumir cocaína e o que poderia ser metanfetamina. Em certo momento, ele afirmou que pessoas o observavam e queriam que ele deixasse o acampamento. Um colega de acampamento, Alex Barnov, disse ao veículo que acreditava que a paranoia do russo era induzida por drogas e afirmou que ele parecia bem ao acordar no dia seguinte.
Outro colega de acampamento relatou que, em 29 de agosto, Vadim estava empenhado em fazer um Apple AirTag funcionar para que outros pudessem rastreá-lo, embora a localização remota dificultasse o uso do dispositivo.
A morte de Vadim marcou o primeiro homicídio conhecido na história do Burning Man.
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