Para vencer um mata-mata de Copa do Mundo vale até pedir ajuda espiritual. Foi o que fizeram alguns torcedores que acompanharam Brasil x Noruega da Arena Copacabana, fan fest montada na orla do bairro homônimo da Zona Sul. O evento que aglomerou 18 mil pessoas exibiu o jogo em telões e trouxe shows do pagodeiro Pretinho da Serrinha e do grupo Carrosel de Emoções.
Durante o confronto, ervas diversas e até velas podiam ser avistadas nas mãos de pessoas que almejavam desejar boas energias para a seleção canarinho hoje, mas a “urucubaca” da equipe, pelo visto, era forte. A vitória ficou com os noruegueses, que marcaram 2 a 0 e avançaram às oitavas de final.
— Eu trouxe a arruda para trazer sorte, boas energias, mas hoje foi um jogo difícil. Faltou marcação do Brasil, deixaram o jogo muito solto — disse Lúcia Bandeira, que segurou um galho de arruda junto à bandeira brasileira durante toda a partida.
A sensação expressada pela arquiteta de 69 anos também foi sentida por grande parte do público do evento, que considerou os brasileiros apáticos em campo perante a uma partida que necessitava de energia e concentração.
— Ver o Brasil muito passivo, sem lutar, foi o que me deixou mais triste, mais do que perder. O Cabo Verde, por exemplo, perdeu para a Argentina, mas lutou até o fim — disse Juliana Ribeiro.
A postura de Neymar em campo também decepcionou parte da torcida. O camisa 10 entrou no meio do segundo tempo e era visto como a esperança para derrotar os noruegueses. Entretanto, o jogador arrumou confusões com os rivais e acabou amarelado.
— A seleção não se esforçou, não teve alguém que correu atrás. Até o Neymar parece que entrou em campo para brigar — pontuou Fábio Grellet.
Apesar dos desentendimentos do atacante com os adversários, há quem acredite que ele poderia ter sido a solução da derrota.
— Era ele (o Neymar) que estava faltando. Ele ainda vai deixar o dele para ajudar — previu Alexandre Dias, antecipando o pênalti que seria marcado pelo jogador nos acréscimos finais.
Ele ainda acredita que o camisa 10 poderia ter dado outro rumo para a partida — Faltou o menino Ney estar lá para bater aquele pênalti perdido pelo Bruno Guimarães.
Já Grellet acha que “pênalti é loteria” e é impossível castigar quem errou ou cravar quem marcaria. Seja nas cobranças comentadas pelos torcedores ou na fé de quem apelou para o espiritual, a sorte não esteve do lado do Brasil. Que a maré mude daqui a 4 anos e espante essa e outras remadas do caminho da Amarelinha.



