Tem épocas em que a libido aparece sem convite.
Chega animada, senta na primeira fila e ainda quer escolher a programação da noite.
Em outras, desaparece.
Some.
Evapora.
E aí começa a investigação:
“Será a idade?”
“Será o parceiro?”
“Será o estresse?”
“Será que minha libido foi embora sem deixar endereço?”
Calma.
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Desejo sexual não é uma entidade independente que mora no corpo e acorda todos os dias no mesmo horário. Ele responde ao que está acontecendo com você física, emocional e até afetivamente.
Ou seja: antes de decretar falência sexual, vale procurar pistas.
Às vezes não falta desejo. Falta energia.
Tem gente tentando descobrir por que perdeu a libido depois de trabalhar o dia inteiro, resolver problema da casa, responder mensagens, enfrentar trânsito, pensar em contas e chegar à cama em condições de ser desligada da tomada.
Difícil competir.
Cansaço, noites mal dormidas e excesso de tarefas podem reduzir muito a disposição sexual.
Nem sempre o problema é:
“Não quero mais sexo.”
Às vezes é simplesmente:
“Eu queria mesmo era dormir oito horas sem ninguém me chamar.”
A cabeça também participa da relação sexual
Estresse e ansiedade adoram aparecer justamente quando ninguém os convidou.
O corpo está na cama.
A cabeça está no banco.
Ou no trabalho.
Ou pensando no exame de amanhã.
Ou lembrando que acabou o detergente.
E aí fica difícil entrar no clima.
Desejo precisa de algum espaço mental.
Não precisa montar cenário com pétalas de rosa, música ambiente e velas suficientes para provocar o Corpo de Bombeiros.
Mas ajuda bastante não estar resolvendo quinze problemas ao mesmo tempo.
Medicamentos podem interferir
Alguns medicamentos podem alterar desejo, excitação ou orgasmo.
Antidepressivos são conhecidos por isso, mas não são os únicos.
Se você percebeu uma mudança importante depois de iniciar um remédio ou alterar uma dose, vale conversar com o médico porque trocas sempre são possíveis.
O que não vale é abandonar tratamento por conta própria.
Libido baixa incomoda.
Problema de saúde sem tratamento incomoda muito mais.
Hormônios também gostam de dar opinião
Menopausa, alterações de testosterona, mudanças na tireoide e outros fatores hormonais podem interferir na resposta sexual.
Nas mulheres, secura vaginal e dor também podem reduzir o interesse.
E vamos combinar:
é muito difícil desejar uma atividade que começou a provocar desconforto.
Se sexo passou a doer, investigar é muito mais sensato do que simplesmente pensar:
“Estou ficando velha.”
Não transforme tudo em idade.
Ela já leva culpa suficiente.
E o relacionamento? Como anda?
Aqui muita gente tenta mudar de assunto.
Mas não adianta.
Às vezes a libido não sumiu.
Ela apenas não está muito animada com o ambiente.
Mágoas acumuladas, falta de carinho, ressentimento, brigas constantes, distância emocional e aquela convivência em que o casal só conversa sobre boleto, filho e mercado podem afetar o desejo.
Não é fácil passar o dia querendo esganar alguém e às dez da noite decidir que agora quer beijá-lo apaixonadamente.
Embora, claro, seres humanos sejam surpreendentes.
A relação com o próprio corpo também pesa
Mudanças de peso, envelhecimento, cirurgias, doenças ou simplesmente uma fase de autoestima mais baixa podem mexer muito com a maneira como alguém vive a sexualidade.
Às vezes o parceiro continua desejando.
Mas a pessoa deixou de se sentir desejável.
E isso pode ser suficiente para fazê-la evitar intimidade.
Então quando é hora de procurar ajuda?
Não existe uma quantidade “correta” de desejo sexual.
Libido varia de pessoa para pessoa e muda ao longo da vida.
O sinal de atenção aparece quando essa mudança é persistente, incomoda você, interfere no relacionamento ou vem acompanhada de outros sintomas.
Aí vale investigar.
Mas antes de acusar o parceiro, os hormônios, a idade ou o universo, faça algumas perguntas:
Como anda meu sono?
Meu estresse?
Minha saúde?
Meu relacionamento?
Meu corpo?
Minha cabeça?
Porque a libido raramente desaparece sem motivo.
Às vezes ela não foi embora.
Está apenas soterrada embaixo de cansaço, preocupações, rotina e uma pilha de roupas esperando para ser guardada.
E, francamente, até o desejo tem seus limites.
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