Elusiva, a montanha-russa tende a ser a atração principal de diversos parques de diversões pelo Brasil e mundo afora, uma forma de emoção “radical” num mundo docilizado: segura, mas capaz de incitar as mesmas sensações de uma grande aventura.
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Porém, recentes casos de acidentes nessas atrações ao redor do mundo vêm colocando a segurança do brinquedo em xeque: recentemente, no parque Hopi Hari, a montanha-russa Montezum virou manchete do Fantástico em setembro após a jovem Júlia Bossoni sofrer uma lesão cerebral e perder movimentos do corpo após andar na atração.
Nos Estados Unidos, no último dia 12, um homem morreu após ser jogado da Goliath, no parque Six Flags Over Georgia; o acidente fez com que a rede de parques de diversões fechasse outras seis montanhas-russas para inspeção.
Na verdade, algumas semanas antes, outra unidade da rede, na Califórnia, anunciou o fechamento permanente da X2, uma das mais populares, após anos de reclamações sobre a segurança da tração.
A pergunta que fica é: será que a montanha-russa, na busca por mais adrenalina, se tornou perigosa demais?
“Em nosso setor, a montanha-russa ainda é a principal atração”, disse Dennis Speigel, consultor global de parques temáticos e ex-presidente da Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações, em entrevista ao New York Times.
“Quando você quer que a frequência aumente no seu parque ou na sua empresa, você não coloca um carrossel, você não coloca um brinquedo de escalada, você coloca uma montanha-russa, e a chama de ‘O Demônio’, ‘O Morcego’, ‘A Fera’ ou qualquer outro nome”, disse ele. “E as pessoas aparecem em massa para andar nela”.
Segundo a Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações (IAAPA), a estimativa é de que um acidente ocorra a cada um milhão de passeios em montanhas-russas na América do Norte.
Por outro lado, um estudo de 2004 descobriu que, em média, quatro pessoas morreram em montanhas-russas a cada ano da década anterior. Speigel nota que a morte em Georgia foi a primeira desde 2006, quando um homem sofreu um ataque cardíaco enquanto andava na atração.
“Se não forem seguros, os fabricantes vão à falência”, disse.
Em entrevistas, visitantes de diversos parques de diversão pareceram ignorar os recentes acidentes fatais: “Ouvir falar dessa morte não me faz ter medo de morrer quando eu entrar numa montanha-russa”, disse Jenna Kulhawuk, 32, cinegrafista que visitava o Cedar Point, um parque de diversões em Ohio.
“Eu nunca fui assim — com medo de coisas que não vão acontecer”, afirma.
No Magic Mountain, na Califórnia, um jovem de 20 anos até relatou como foi a experiência: “Com certeza senti uma descarga de adrenalina”, afirma: “”Eu quase desmaiei, mas me lembrei de coisas como: ‘Respira, respira’”.
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