O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, nesta quinta-feira (dia 5), uma série de encontros com economistas e integrantes do governo para discutir a conjuntura econômica do país. A reunião no Palácio do Planalto contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do ex-ministro Fernando Haddad, além de nomes de fora do governo, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e os economistas Laura Carvalho e Eduardo Moreira.
A reunião, convocada de última hora por Lula, acontece em meio a uma pressão de setores por um ajuste fiscal nas contas públicas para o Orçamento de 2027, e um dia após o Banco Central manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
Os quatro economistas de fora do governo chamados para reunião têm viés mais progressista.
Guido Mantega
Guido Mantega foi um dos formuladores do programa econômico do PT na campanha de Lula em 2002, e assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento em 2003. Em seguida, foi transferido para presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), até assumir o Ministério da Fazenda entre 2006 e 2015, nos governos Lula e Dillma com uma política econômica de estímulo ao crescimento, com oferta de crédito por bancos públicos.
Mantega é defensor do social-desenvolvimentismo, corrente que aposta na participação do Estado na economia, na expansão do crédito, e nos investimentos públicos como motores do crescimento econômico.
Laura Carvalho
Laura Carvalho é PhD em Economia pela New School for Social Research, em Nova York, e professora da Universidade de São Paulo (USP), onde fundou o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made-USP). Autora do livro Valsa brasileira: do boom ao caos econômico, tem uma trajetória acadêmica voltada ao estudo das desigualdades e sua relação com o crescimento econômico. Em 2018, participou da elaboração de propostas econômicas para a candidatura de Guilherme Boulos à Presidência.
Em entrevista ao Canal Meio divulgada nesta semana, entre outros pontos a economista defendeu que um eventual ajuste fiscal no governo Lula 4 não pode prejudicar o crescimento econômico.
“Eu acho que o que pode gerar uma recessão é uma tentativa de corrigir essa trajetória da dívida de uma maneira recessiva, porque há jeitos de ajustar (…) que são compatíveis com uma trajetória de crescimento econômico”, disse a economista.
Eduardo Moreira
Eduardo Moreira é empresário, escritor e fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), plataforma de educação e comunicação. Formado em Engenharia Civil pela PUC-Rio, estudou Economia na Universidade da Califórnia, em San Diego, e construiu sua carreira no mercado financeiro, onde foi sócio do Banco Pactual e participou da criação da Genial Investimentos.
Autor do livro “Desigualdade & caminhos para uma sociedade mais justa”, tornou-se crítico do sistema financeiro e das altas taxas de juros no Brasil. Entre as bandeiras defendidas, está um aumento na tributação sobre os mais ricos como um caminho para reduzir a desigualdade social.
Luciano Coutinho
Luciano Coutinho foi o sucessor de Mantega na presidência do BNDES, entre 2007 e 2016, durante os governos Lula e Dilma Rousseff. Com uma trajetória acadêmica voltada ao desenvolvimento industrial e à competitividade da economia brasileira, é defensor de uma maior participação do Estado no financiamento de investimentos e no estímulo à indústria nacional.
Também defende o fortalecimento do BNDES, a expansão dos investimentos em infraestrutura e políticas públicas voltadas à inovação e ao crescimento econômico. É PhD em Economia pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Ministros e integrantes do governo
Entre os participantes da reunião estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a ministra da Gestão, Esther Dweck, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Também participou o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que comandou a política econômica do governo Lula 3. Haddad não integra oficialmente o governo, mas foi um dos consultores de Lula na campanha à reeleição e é cotado para assumir um ministério na nova gestão do presidente.
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