Rio de Janeiro em 24 horas de guerra: 119 mortos, dezenas de presos e um país dividido


Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Megaoperação contra o Comando Vermelho deixa rastro de corpos e provoca crise política e moral no Brasil

O Rio de Janeiro viveu um dos dias mais violentos de sua história recente. Em apenas 24 horas, a Operação Contenção, deflagrada na madrugada de terça-feira (28/10), mobilizou 2,5 mil policiais civis e militares para atacar redutos do Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão. O saldo foi devastador: 119 mortos — entre eles quatro policiais —, 113 presos, 118 armas e toneladas de drogas apreendidas.

Segundo as autoridades, a ação buscava deslocar o confronto para as áreas de mata da Serra da Misericórdia, reduzindo o risco à população civil. Mas o que se viu foi um cenário de guerra urbana, com tiroteios, explosões e o uso inédito de drones lançando granadas contra as forças de segurança. Pela manhã seguinte, moradores retiravam corpos da mata e os alinhavam em praças públicas, em cenas que lembravam zonas de conflito.

Imagem: CNN Brasil

O governo estadual classificou a operação como “o maior golpe da história contra o Comando Vermelho”. Já organizações de direitos humanos, parlamentares de esquerda e moradores chamaram o episódio de “massacre” e pediram investigações independentes sobre execuções sumárias.

A reação política foi imediata. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara pediu à Procuradoria-Geral da República a prisão do governador Cláudio Castro (PL) e anunciou uma diligência emergencial nas comunidades atingidas. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre confirmou a instalação da CPI do Crime Organizado para investigar facções e milícias.

Entre os mortos, estavam Penélope, a “Japinha do CV”, e Éder Alves de Souza, o “Disquete”, ambos foragidos e ligados à cúpula da facção. As mortes foram comemoradas por parte do governo fluminense, mas criticadas por analistas que veem a operação como mais um episódio de força bruta sem resultado estrutural.

Como lembrou o jornalista William Waack da CNN Brasil, “contar cadáveres não é sinônimo de vitória”. O que emergiu do Rio foi um retrato brutal de um país que, diante da violência e da inércia política, ainda confunde extermínio com solução.



Source link

- Advertisement -spot_img

More From UrbanEdge

Pedro Carvalho revela desafio inusitado ao filmar com Miguel Falabella

“Temos uma equipe fantástica, um excelente...

Raspar ou não raspar? Gretchen expõe dilema antes de transplante capilar

“Antigamente, a técnica só era executada...

Rio deve ter nesta terça-feira o dia mais frio do ano

De acordo com o Sistema Alerta...
- Advertisement -spot_img