A cidade do Rio avança na construção de um novo modelo de mobilidade urbana. A reestruturação do sistema BRT foi concluída e devolveu eficiência e confiabilidade ao transporte nos corredores exclusivos. A implantação do Jaé colocou a bilhetagem sob controle do poder público e garantiu mais transparência e gestão sobre a arrecadação. Agora, para consolidar esse avanço, com um sistema de transportes moderno e eficiente, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) trabalha na implementação do Sistema RIO, com a realização da licitação dos ônibus municipais.
O novo modelo aplica aos ônibus a mesma reconstrução realizada no BRT, com foco em qualidade, previsibilidade e maior controle público.
— Com presença do poder público, planejamento e uso de tecnologia, é possível entregar um serviço mais confiável para a população. Este modelo do BRT está sendo implantado também ao sistema de ônibus municipais, promovendo uma transformação mais ampla da mobilidade na cidade — destaca o prefeito, Eduardo Cavaliere.
O novo sistema incorpora mecanismos tecnológicos que permitem o monitoramento em tempo real da operação, com controle da regularidade e da qualidade do serviço. A frota será zero quilômetro, com mais conforto, acessibilidade e segurança, enquanto a adoção de garagens públicas amplia a concorrência, permitindo operadores de fora da cidade.
— Deixaremos de remunerar as empresas por passageiro transportado e passaremos a pagar por quilômetro rodado. Isso traz mais eficiência, porque o planejamento operacional passa a ser responsabilidade do poder público, e não mais do operador — afirma o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes.
Segundo Arraes, a mudança na lógica da remuneração traz mais previsibilidade para o usuário, incentiva a operação em áreas de menor demanda e promove uma distribuição mais equilibrada da oferta de transporte na cidade.
— A primeira licitação foi realizada, e o processo será feito de forma gradual até 2028, o que permitirá a substituição de cerca de cinco mil ônibus em toda a cidade — conta Arraes.
A implementação começará pela Zona Oeste, com início da operação prevista para agosto, em Santa Cruz e Campo Grande. A frota nessas regiões será ampliada de 104 para 316 veículos.
— A estratégia é iniciar onde a população mais precisa. Começa na Zona Oeste e avançará para outras áreas da cidade que também enfrentam problemas na operação do serviço, como Vila Isabel e a Ilha do Governador — explica Eduardo Cavaliere.
A operação da segunda etapa está prevista para começar em dezembro, em Santa Cruz, Bangu, Vila Isabel e Ilha do Governador, e prevê um aumento de 63% na frota nas regiões atendidas.
O Sistema BRT passou por uma transformação estrutural e é o exemplo a ser seguido. Em 2021, o sistema operava com apenas 120 ônibus articulados — cerca de 40% da frota — e um terço das estações estavam fechadas. Hoje, são quase 800 ônibus, 139 estações e 16 terminais em quatro corredores: Transbrasil, Transolímpica, Transoeste e Transcarioca.
— A decisão mais importante do município foi assumir integralmente a responsabilidade pela operação e estruturar um novo modelo de gestão — afirma o prefeito Eduardo Cavaliere.
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A criação da Mobi-Rio, operadora pública que gerencia o sistema BRT, marcou essa virada. A prefeitura do Rio passou a coordenar diretamente a operação, com investimentos em frota, infraestrutura e tecnologia. O sistema conta, hoje, com ônibus modernos e climatizados — a maioria com tecnologia Euro VI, menos poluente. Além dos quatro corredores, a prefeitura construiu o Terminal Intermodal Gentileza, que interliga o BRT Transbrasil a linhas de ônibus municipais e ao VLT. O resultado é um crescimento expressivo da demanda. O número de passageiros saltou de cerca de 150 mil passageiros por dia para aproximadamente 600 mil/dia.
Agora, com a criação do BRT Metropolitano, a proposta é integrar o sistema intermunicipal aos corredores do BRT, com os ônibus alimentando terminais de integração. Esse modelo contribui para reduzir o tempo de viagem, melhora a distribuição dos fluxos viários e tende a desestimular o uso do transporte individual em trajetos mais longos.
Tecnologia, dados e transparência
Outro pilar dessa transformação é o Jaé, sistema de bilhetagem que trouxe ao poder público o controle da arrecadação tarifária. O número de usuários do Jaé, que começou com 166 mil passageiros, em 2023, hoje chega a 4,5 milhões.
Ao centralizar a arrecadação tarifária no poder público, o sistema amplia a transparência financeira. Isso corrige distorções históricas e fortalece a capacidade de gestão da prefeitura sobre o sistema. Além da dimensão financeira, o sistema gera informações estratégicas sobre o funcionamento da rede.
— O principal avanço é o uso de dados para entender melhor o sistema: comportamento dos passageiros, horários de maior demanda e padrões de integração. Com isso, o planejamento se torna mais integrado e eficiente, permitindo atuar diretamente nos gargalos — explica o subsecretário Lauro Silvestre.



