Foi um rebuliço. Em 1996, na gestão do prefeito Cesar Maia, o histórico reduto de prostituição instalado no coração do Rio de Janeiro desde o início do século acabou arrancado de lá por ordem oficial. Decretava-se o fim da tradicional Zona do Mangue, imortalizada por nomes como os poetas Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes e os artistas plásticos Lasar Segall e Di Cavalcanti. Eles capricharam na verve, mas, para quem tira seu sustento desse universo, a realidade sempre foi bem mais complexa. A ideia inicial, em meados dos anos 1990, era simplesmente levar as estimadas 1.800 garotas de programa até a cidade vizinha de Duque de Caxias. Para surpresa de ninguém, o projeto não foi tão longe: as mulheres, e a estrutura que as cercava, acabaram alocadas na Rua Sotero dos Reis, em São Cristóvão, bem perto do recanto original. Completados 30 anos, lá estão até hoje, no point de meretrício conhecido como Vila Mimosa.



