Quase metade das meninas de 5 a 17 anos no Brasil faz tarefas domésticas ou cuida de pessoas sem remuneração

Quase metade das meninas de 5 a 17 anos no Brasil realizava tarefas domésticas ou cuidava de pessoas sem remuneração em 2025. Essas atividades faziam parte da rotina de 47,9% delas, enquanto entre os meninos da mesma faixa etária o percentual era de 36,6%. Os dados são da pesquisa Pnad Contínua: Trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (2025), divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE.
Ao todo, 15,9 milhões de crianças e adolescentes realizavam trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidados de pessoas, o equivalente a 42,1% da população de 5 a 17 anos. A pesquisa considera atividades feitas no próprio domicílio ou para parentes que moravam em outra residência. Não necessariamente essas pessoas se enquadram na categoria de trabalho infantil (leia mais abaixo).
Tarefas domésticas e cuidados recaem mais sobre meninas
Arte O Globo
Em 2025, o IBGE reformulou as perguntas sobre essas tarefas, com mudanças nos itens pesquisados e na forma de registrar as horas dedicadas a elas. Por isso, os resultados não são diretamente comparáveis aos dos anos anteriores, e não é possível apontar uma alta ou queda a partir dessa comparação.
Participação aumenta com a idade
As tarefas domésticas e de cuidado eram mais frequentes entre os adolescentes de 16 e 17 anos: 64,6% realizavam essas atividades. Entre aqueles de 14 e 15 anos, a proporção era de 60,7%. No grupo de 5 a 13 anos, chegava a 32,7%.
O levantamento inclui tarefas como preparar ou servir alimentos, lavar louça, limpar a casa, lavar e guardar roupas, fazer compras e cuidar de animais domésticos. Já o cuidado de pessoas abrange atividades como alimentar, dar banho ou remédio, ajudar em tarefas escolares e acompanhar em deslocamentos para a escola, consultas médicas ou atividades de lazer.
Essas informações são apresentadas separadamente dos indicadores de trabalho infantil. A realização de uma tarefa doméstica ou de cuidado, por si só, não significa que a criança ou o adolescente tenha sido classificado nessa condição.
Pela legislação brasileira, trabalho infantil é proibido. Enquadra-se nessa situação toda forma de trabalho feita por crianças e adolescentes que seja prejudicial à sua saúde e educação. Mas há regras específicas para cada faixa etária:
Até 13 anos é proibido trabalhar em qualquer atividade;
de 14 a 15 anos, os adolescentes podem trabalhar como aprendiz. Isso não é considerado trabalho infantil;
de 16 e 17 anos, é permitido o trabalho apenas com carteira assinada, sendo proibidas atividades irregulares, perigosas e em horário noturno. Isso também não é trabalho infantil.
Há ainda o critério de afazeres domésticos, como arrumar a casa, fazer comida ou lavar louça para si ou para a própria família. Se isso não prejudicar a saúde e a educação do menor, não é considerado trabalho infantil, e sim trabalho doméstico não remunerado, o que é permitido.
Tarefas se somam ao trabalho
Entre as crianças e adolescentes que exerciam atividades econômicas, 65,1% também faziam tarefas domésticas ou cuidavam de pessoas sem remuneração. Entre os que não exerciam atividades econômicas, a proporção era de 41,2%.
A diferença era maior no grupo de 5 a 13 anos. Das crianças dessa idade que realizavam atividades econômicas, 74,3% também faziam tarefas domésticas ou de cuidado. Entre aquelas que não exerciam atividades econômicas, eram 32,5%.
Considerando especificamente as crianças e adolescentes classificados em situação de trabalho infantil, 67,9% também realizavam tarefas domésticas ou cuidavam de pessoas sem remuneração.
14 horas semanais dedicadas a tarefas domésticas
Do total de crianças e adolescentes que faziam tarefas domésticas ou de cuidado, 86,5% dedicavam até 14 horas semanais a elas. Outros 8,4% gastavam de 15 a 24 horas por semana.
Entre os mais novos, de 5 a 13 anos, 93,2% dedicavam até 14 horas semanais a essas atividades. A proporção era de 80,5% no grupo de 14 e 15 anos e de 77,5% entre os adolescentes de 16 e 17 anos.
Já as jornadas de 15 a 24 horas semanais correspondiam a 4,5% entre os mais novos, 12,1% no grupo de 14 e 15 anos e 13,3% entre aqueles de 16 e 17 anos.
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