Uma acadêmica da Malásia perdeu o emprego após promover supostas “teorias da conspiração” em salas de aula. Solehah Yaacob, que atuava como instrutora de linguística árabe na Universidade Islâmica Internacional da Malásia (IIUM), foi demitida no fim de abril. Entre as alegações que motivaram o desligamento estão afirmações de que os antigos malaios teriam ensinado “kung fu voador” aos chineses e noções de construção naval aos romanos.
A postura da docente rendeu críticas e até piadas em rede social. Ela chegou a ser apelidada de “Professora Sambal Belcan” — uma referência à pasta de camarão típica da região — após tentar apresentar as suas ideias como fatos históricos comprovados, conforme relatou o jornal “Sinar Daily”.
Teorias levantadas pela docente foram questionadas por especialistas em história
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Com a repercussão do caso, a decisão da universidade foi imediata: “Ela não é mais professora, nem tem o direito de reivindicar qualquer vínculo com a universidade”, declarou um porta-voz da instituição, sem especificar oficialmente o motivo da demissão.
Em comunicado, a IIUM reforçou que, embora defenda a liberdade acadêmica, essa prerrogativa deve ser exercida com “responsabilidade e fundamentada no rigor científico”. Solehah, contudo, nega irregularidades e promete contestar a decisão na Justiça.
“Fui demitida em 24 horas e não me deram a oportunidade de recorrer”, afirmou ela ao portal “Free Malaysia Today”, acrescentando que recusou uma oferta de indenização equivalente a seis meses de salário.
Nas redes sociais, a acadêmica segue em defesa de suas ideias:
“Minha hipótese, baseada em fontes árabes clássicas, propõe que os romanos adquiriram aspectos da arte da construção naval dos povos do Arquipélago Malaio.”
Docente afirmou, em entrevista, que irá recorrer a decisão na justiça
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As ideias da ex-professora foram rebatidas por especialistas. O historiador Wan Ramli Wan Daud, em declaração ao jornal “Strait Times”, afirmou que não existe nenhuma evidência que sustente as alegações de Solehah, tratando qualquer similaridade técnica entre as civilizações como coincidência. Quem também observou o caso foi o comentarista político James Chin, que classificou o trabalho da acadêmica como “pura pseudociência”. Chin alertou ainda que a ex-professora costumava rotular qualquer pessoa que tentasse refutar suas ideias como “antimalaio” e “instrumentos de apagamento colonial”.
Na internet, usuários descobriram que ela chegou a citar “The Onion” — site americano famoso por publicar notícias satíricas e fictícias — como fonte de autoridade em um artigo acadêmico de 2018. Após a descoberta viralizar, a referência ao site de humor foi removida do texto original.
*Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira
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Professora de universidade da Malásia é demitida por disseminar teorias de que malaios ensinaram 'kung-fu voador' para chineses



