Durante a premiação da Supercopa da Uefa, o presidente da entidade Aleksander Ceferin esteve no palco para cumprimentar e entregar a medalha aos participantes da partida. Não apenas aos jogadores do campeão PSG e do Aston Villa, mas também a equipe de arbitragem, liderada pelo somali Omar Artan. Responsável por apitar a disputa desta quarta, ele foi um personagem de uma das polêmicas da última Copa ao ser impedido de estar no torneio por ter a entrada nos Estados Unidos negada.
Atualmente tornou-se comum os árbitros receberem medalha. Mas, neste caso, o gesto foi simbólico e já virou mais um capítulo da disputa política entre Ceferin e o presidente da Fifa Gianni Infantino.
Artan entrou para a história como o primeiro árbitro não europeu a apitar uma final de competição da Uefa. A entidade fez questão de convidá-lo como forma de marcar posição. A aproximação com o presidente dos EUA Donald Trump desgastou Infantino, que tem sua continuidade na Fifa sendo questionada por parte do mundo do futebol.
O movimento é liderado justamente pela Uefa, que ameaça boicotar os torneios intercontinentais. A entidade diz não ter mais confiança em Infantino e espera dele garantias de que não voltará a pôr em prática o plano de criar uma subsidiária e vender ações de suas competições para investidores privados.
Antes do início do Mundial, Artan ficou sob os holofotes da mídia após não conseguir entrar no território americano ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami, apesar de integrar o grupo de árbitros selecionados pela Fifa para o torneio.
“Foi um período muito difícil”, reconhece o árbitro de 34 anos em uma entrevista publicada no site da Uefa.
“Muitas pessoas demonstram solidariedade porque, quando você trabalha por muitos anos para realizar um projeto e, no final, não consegue realizá-lo, é muito difícil”, acrescenta ele.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos justificou essa recusa explicando que o árbitro estava “ligado a indivíduos suspeitos de pertencer a organizações terroristas”, o que “tornava o viajante inelegível para entrar” em seu território.
Acusações que Artan nega e que geraram indignação na Somália, onde árbitro foi recebido como herói ao retornar.
“O que aconteceu com ele é lamentável, mas não controlamos tudo”, declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.




