Quase duas semanas após as mortes trágicas de mãe e filho em um acidente com um ônibus , na Tijuca, Zona Norte do Rio, quando trafegavam em um autopropelido, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) anunciou a implementação de novas ciclovias na cidade, inclusive na rua que aconteceu o acidente fatal. As obras começam a partir deste domingo com a meta de 50 quilômetros de novas vias na cidade até 2028.
O acidente envolvendo o ciclomotor e um ônibus aconteceu na Rua Conde de Bonfim, na altura da Rua Pinto de Figueiredo. O plano da prefeitura é instalar uma ciclovia ao longo do canteiro central no trecho entre a Praça Saens Peña e a Rua Uruguai.
O município também promete ampliar a malha cicloviária na Zona Sul. Em Botafogo, a ciclovia será implantada na Rua Muniz Barreto, entre as ruas Pinheiro Machado e São Clemente, posicionada no bordo esquerdo, mantendo o estacionamento ao longo da via. Já no eixo Glória–Cinelândia, está previsto um novo traçado na Rua Augusto Severo, criando uma ligação direta entre os dois bairros. A previsão é que as três obras sejam concluídas em 90 dias.
Viviane Zampieri, membro da Comissao de Segurança no Ciclismo (CSC), conta que ela e os demais participantes da CSC receberam a notícia das novas ciclovias com alegria, mas céticos.
— Nós já recebemos muitas comunicações nesse sentido. A gente está esperando essa ciclovia há 20 anos, assim como o plano de expansão da rede cicloviária. Estamos céticos, recebemos com carinho e ansiosos para que aconteça mas só vamos comemorar quando de fato sair do papel. A ligação Tijuca-Centro é a ligação de rede cicloviária mais pedida pela população e mais antiga que nós temos.
Segundo a Prefeitura, as obras iniciadas neste domingo fazem parte de um plano mais amplo de mobilidade sustentável que prevê novos trechos e a requalificação da sinalização existente, com eixos estruturantes no Centro, Zona Sul, Tijuca e Zona Norte.
— A implantação desses novos trechos faz parte de um plano consistente de expansão da malha cicloviária. Queremos que o carioca que escolhe a bicicleta tenha segurança tanto nas normas quanto no asfalto — destaca o Eduardo Cavaliere.
Entre as novas implantações previstas estão vias como a Avenida Pedro II (São Cristóvão), Rua Barão da Torre (Ipanema), Avenida Henrique Dodsworth (Copacabana), Rua Sacadura Cabral (Gamboa) e Avenida Dom Hélder Câmara (Del Castilho), entre outras. O investimento total para a expansão da malha cicloviária é de R$ 20 milhões, de acordo com a Prefeitura.
Concentração na Zona Sul
A prefeitura afirma que a cidade tem hoje uma malha de 501 quilômetros de vias destinadas a bicicletas e afins. Em Copacabana, como mostrou o GLOBO, são 40 vias com algum tipo de estrutura cicloviária, somando 18,4 quilômetros. As ciclovias se concentram na Avenida Atlântica.
Já na Tijuca, onde ocorreu o acidente que matou Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, e seu filho, Francisco Farias Antunes, de 9, a presença é bem menor: são 387 metros de faixa compartilhada com calçada e pouco mais de um quilômetro de ciclofaixa na Rua Uruguai.
Regiões densamente povoadas, como a Zona Norte, e áreas que concentram o maior uso de bicicleta, na Zona Oeste, ainda têm pouca infraestrutura proporcional à demanda.
Na cidade do Rio, dos 501 quilômetros de vias destinada aos ciclistas, dividida em 575 trechos: 233 são faixas compartilhadas com calçadas, 186 com pistas para automóveis, 98 ciclofaixas e 58 ciclovias. Os dados, disponíveis no DataRio e atualizados em 23 de fevereiro, mostram que apenas 10% dessa rede são pistas exclusivas, separadas do tráfego.
Ciclomotores fora da ciclovia
Após o decreto que determinou que ciclomotores não podem mais trafegar por ciclovias e somente em vias com velocidades de até 60km/h, alguns condutores da “motinha elétrica” discordaram da decisão.
— Vai ter mais acidente na pista com esses ciclomotores porque os motoristas não respeitam. A ciclovia é muito mais segura pra gente, o que eles deveriam ter feito é colocar uma regra pra gente que tem os ciclomotores diminuir a velocidade na ciclovia— disse a Stephanie Correia.
A cozinheira que trabalha em um quiosque localizado na orla da Avenida Atlântica, em Copacabana, afirma que não acredita numa real eficácia na redução da velocidade da pista da orla da Zonas Sul e Sudoeste de 70km/h para 60km/h.
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Prefeitura anuncia ciclovia na rua da Tijuca onde morreram mãe e filho atropelados por ônibus



