“Alerta extremo – Defesa Civil: misantropi4”. A mensagem, acompanhada de um aviso sonoro estridente, apareceu na tela do celular de milhões de brasileiros entre o fim da noite de sexta-feira e o início da madrugada de sábado, provocando susto e dúvidas sobre uma possível emergência nacional. A notificação, no entanto, era falsa, disparada indevidamente, e mobilizou o governo e a Polícia Federal, que já está apurando o caso.
Defesa Civil explica: o que sabe sobre o alerta hacker que chegou aos celulares em vários estados do país
Segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, o Paraná foi o ponto inicial dos falsos alertas, enviados sem que houvesse qualquer situação real de risco à população. A suspeita do governo é de que a plataforma Defesa Civil Alerta tenha sido alvo de um ataque hacker que atingiu diferentes regiões do país.
O disparo foi feito remotamente por alguém sem autorização. As mensagens traziam a palavra “misantropia”, ou variações dela (usando, por exemplo, um número 4 no lugar do último “a”). Em algumas cidades do país, o aviso mencionava um suposto “ataque alienígena”. Outros recados traziam ainda o termo “burros dms”.
Netinho de Paula denuncia aluna e escola por racismo contra o neto em área nobre de SP
Datafolha: Lula marca 41% de intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro
Alerta falso da Defesa Civil Nacional, enviado após invasão à plataforma
Reprodução
Alerta falso da Defesa Civil Nacional, enviado após invasão à plataforma
Reprodução
De acordo com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, foram identificados ao menos dez alertas falsos, com registros em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Acre.
A Defesa Civil Nacional informou que, por volta de 1h30 de ontem, a plataforma de envio de notificações do Defesa Civil Alerta foi desligada preventivamente. A pedido do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, a Polícia Federal foi acionada e abriu uma investigação preliminar, que constitui uma etapa anterior à instauração de um inquérito formal. Segundo a PF, o procedimento já está em curso.
Nesse primeiro momento, os investigadores devem colher informações junto à equipe de tecnologia da Defesa Civil, que identificou e bloqueou acessos indevidos à plataforma responsável pelo envio de notificações emergenciais à população. A pasta bloqueou todos os acessos externos à Interface de Divulgação de Alertas Públicos, onde foi identificado o “incidente de segurança cibernética”. As contas dos usuários envolvidas no caso foram suspensas, mas os registros e logins do sistema foram preservados para a perícia.
Por que nem todos receberam falso alerta? Defesa Civil ainda não sabe explicar falha
Nova versão em breve
Wolff reconheceu que o episódio — que tomou as redes, com reclamações, dúvidas e até memes — afeta a credibilidade de uma ferramenta criada para proteger a população em situações de emergência, mas afirmou que o governo já vinha trabalhando desde o início do ano em uma nova versão da plataforma.
Alerta falso da Defesa Civil Nacional, enviado após invasão à plataforma, repercutiu nas redes
Reprodução
Alerta falso da Defesa Civil Nacional, enviado após invasão à plataforma, repercutiu nas redes
Reprodução
A notificação enviada indevidamente faz parte da categoria “Alerta Extremo”, o nível mais grave do sistema. Ela é utilizada quando a Defesa Civil identifica ameaças com risco iminente à vida, exigindo que a população busque proteção imediatamente.
A Anatel mantém um portal que permite acompanhar os alertas mais recentes enviados pelo sistema. Entre os últimos classificados como “extremo” está um que foi emitido em 31 de maio de 2026 para moradores de Manaus (AM): “Deslizamento para Manaus. Afaste-se de encostas. Procure abrigo seguro”.
Além do “Alerta Extremo”, o sistema conta com o “Alerta Severo”, uma classificação de menor urgência. Nesses casos, a população tem mais tempo para adotar medidas de proteção, segundo a Defesa Civil.
Segundo o portal g1, até as 14h43 de sábado, 2.507 alertas haviam sido emitidos pelas Defesas Civis desde o início do programa, em dezembro de 2024. Desse total, 227 foram classificados como “extremos”, e cerca de 2,28 mil, como “severos”, de acordo com dados da Anatel.
‘O primeiro alerta foi dado do Paraná’
Segundo Wolnei Wolff, na invasão à plataforma, neste fim de semana, nove alertas foram emitidos a partir da tecnologia Cell Broadcast, em que as notificações alcançam celulares lançados a partir de 2020 e com cobertura móvel 4G ou 5G que estejam na área supostamente afetada. Um outro alerta foi emitido a partir do sistema SMS, de mensagens.
O secretário afirmou que, ao que tudo indica, não foi um servidor da Defesa Civil que disparou as mensagens, mas, sim, uma pessoa ou um grupo responsável por ataque externo, um crime cibernético.
— O que parece ter ocorrido é que se cadastraram no sistema e fizeram alerta a partir de Curitiba. A gente bloqueou. Depois outro usuário disparou outro alerta — declarou.
Wolff explicou que os credenciamentos para pessoas que têm permissão para dar alerta são feitos separadamente por estado. Então, em tese, uma mesma chave de acesso não poderia ter enviado as mensagens para diferentes estados:
— O primeiro alerta foi dado do Paraná, só que dentro do nosso sistema tem uma regra: quem está cadastrado no Paraná só consegue dar alerta no Paraná, jamais em outros estados.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil informou que trabalha para restabelecer a plataforma assim que as condições de segurança forem garantidas.
Reportagem de: Pepita Ortega, Anna Júlia Steckelberg, Jônatas Levi e Luiz Eduardo de Castro, com g1.
Source link
Plataforma Defesa Civil Alerta, criada há um ano e meio, já emitiu mais de 2,5 mil alertas: em breve, ganhará nova versão



