Estamos sozinhos no universo? A pergunta que intriga a ciência há milênios (desde a Grécia Antiga) pode ter uma resposta na Lua.
Uma equipe de cientistas dedicada à busca por inteligência extraterrestre (SETI, na expressão em inglês) escreveu um estudo para a revista “International Journal of Astrobiology* em que propõem que a busca por vestígios microscópicos no solo lunar poderia responder a uma das grandes questões para a Humanidade.
“Se alguma outra civilização tecnológica já existiu em nossa galáxia, não é uma hipótese descabida imaginar que partículas provenientes dela estejam presentes na Lua em certa quantidade”, afirmou ao “New York Times” Lewis Pinault, cientista afiliado ao Instituto SETI, em Mountain View (Califórnia), e pesquisador do Birkbeck College, da Universidade de Londres, que liderou o estudo.
No trabalho, a equipe demonstrou como infraestruturas alienígenas poderiam sofrer intemperismo e erosão, transformando-se em partículas minúsculas, e modelou a forma como elas seriam dispersas pela galáxia. Esse processo já é bem conhecido aqui na Terra: satélites, por exemplo, liberam material microscópico no espaço.
Sofia Sheikh, cientista do Instituto SETI que estuda tecnologias alienígenas hipotéticas — conhecidas como “tecnossinaturas” —, descreveu a ideia da equipe como “uma abordagem criativa e promissora”. Ela ressaltou que isso é particularmente relevante no contexto do interesse renovado pela Lua trazido pelo Artemis, programa da NASA que visa levar astronautas de volta à superfície lunar.
As possíveis trajetórias das partículas através da galáxia foram modeladas pela equipe de cientistas. Segundo eles, essas trajetórias poderiam cruzar o caminho do nosso sistema solar ao longo do tempo. Eles levantam a hipótese de que algumas partículas poderiam sobreviver a impactos com a Lua, deixando vestígios de civilizações alienígenas que talvez já tenham sido extintas.
“Se aceitarmos que a busca por inteligências alienígenas é uma parte legítima da ciência — o que claramente é —, então procurar pelos produtos tecnológicos (ou seja, artefatos) dessas inteligências deveria ser tão cientificamente válido quanto buscar suas emissões de rádio”, afirmou Ian Crawford, professor de ciência planetária no Birkbeck College, da Universidade de Londres, e coautor do estudo.
A ideia em si da equipe não é original, mas está sendo revitalizada. Na década de 1990, o astrofísico e radioastronômo ucraniano Alexey V. Arkhipov foi pioneiro na hipótese de que a Lua poderia servir como local de depósito para artefatos alienígenas. No entanto, naquela época, a busca por vida extraterrestre estava amplamente relegada às margens da pesquisa acadêmica. Pinault e seus colegas resgataram o conceito e concentraram suas atenções em partículas na escala de micrômetros — dimensões comparáveis às de uma única bactéria. Em homenagem ao trabalho de Arkhipov, os cientistas batizaram essas partículas hipotéticas de “partículas de Arkhipov” no estudo.
O ucraniano celebrado pela comunidade cientpropôs novas metodologias para a busca de artefatos alienígenas na Lua e no espaço (arqueologia cósmica) e atuou como coordenador regional da SETI League, uma organização científica e educacional internacional, sem fins lucrativos, focada na privatização e descentralização da busca por inteligência extraterrestre através de sinais eletromagnéticos
Source link



