Pela primeira vez desde o início do julgamento, Monique Medeiros detalhou aos jurados como viveu as horas que antecederam a morte de Henry Borel e afirmou acreditar que o responsável pela morte do menino foi Jairinho. Essa é a primeira vez que ela responsabiliza Jairo pela morte de seu filho. Em outras ocasiões, ela dizia só “Deus” saber quem seria o culpado.
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— Hoje eu entendo que foi o Jairo. Eu não vi, mas depois dos depoimentos eu acredito que tenha sido ele — declarou durante o interrogatório nesta terça-feira.
Ao reconstituir o dia 7 de março de 2021, Monique contou que recebeu Henry de volta após um fim de semana com o pai, Leniel Borel. Segundo ela, o menino chegou ao condomínio, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, em um dia chuvoso e havia vomitado durante o trajeto.
A mãe relatou que Leniel chegou a se oferecer para levar Henry para Bangu, mas ela recusou porque o filho teria aula no dia seguinte. Depois disso, os dois teriam ido até a uma padaria próxima ao condomínio. Após retornarem ao apartamento, Monique disse que encontrou Jairo no elevador. Segundo ela, o então companheiro disse que havia descido porque estava demorando a voltar e acreditava que ela ainda estivesse com Leniel, por sentir ciúmes da relação entre os dois.
Já durante a noite, Monique contou que deu banho em Henry, leu uma história para o filho e preparou a cama da criança. Segundo ela, colocou uma cadeira de amamentação ao lado da cama para evitar uma possível queda.
A ré afirmou que, entre a noite e a madrugada, Henry acordou três vezes chorando e gritando, sendo recolocado para dormir por ela. Depois disso, disse que Jairinho a chamou para o quarto de hóspedes e que adormeceu rapidamente.
Durante o interrogatório, Monique voltou a afirmar que acredita ter sido dopada naquela noite.
— Jairo sempre me dava comprimidos à noite. Eu o vi espremendo um comprimido na minha taça de vinho — disse Monique.
Segundo ela, Jairinho costumava insistir para que dormisse cedo porque desconfiava que ela conversava com outros homens durante a madrugada.
Monique afirmou que acordou após ser chamada por Jairinho, que teria dito ter ouvido um barulho vindo do quarto de Henry.
Ao chegar ao quarto, segundo seu depoimento, encontrou o filho de barriga para cima, descoberto, com as mãos e os pés gelados.
— Ele estava com a barriga para cima e o pé gelado, olhando para o nada — afirmou Monique.
Monique contou que Jairinho dizia repetidamente que Henry não estava conseguindo respirar e levantou a hipótese de que a criança pudesse ter engolido algum objeto. Ela disse que descartou essa possibilidade imediatamente.
A mãe relatou que pediu ajuda para socorrer o filho enquanto os dois seguiam para o Hospital Barra D’Or, no mesmo bairro. No local, segundo seu relato, uma equipe médica iniciou procedimentos de emergência e tentou reanimar a criança.
— Ficaram duas horas e meia fazendo a massagem cardíaca — disse Monique.
Monique descreveu que diferentes profissionais se revezavam nas manobras de ressuscitação enquanto parentes chegavam ao hospital. Segundo ela, Leniel foi um dos primeiros a aparecer após ser avisado.
A ré afirmou que, naquele momento, acreditava que a morte poderia ter sido provocada por uma queda da cama, já que não observava sinais aparentes de agressão.
— Quando chegamos, Jairo disse aos medicos e aos familiares “ele caiu da cama, ouvi um barulho”. Eu acabei repetindo isso, mas não ouvi barulho — disse Monique.
Segundo ela, não havia nenhum sinal nem marca visível no corpo do menino.
— Então, para mim, só podia ser uma queda de cama — desabafou a mãe de Henry.
Monique afirmou que foi apenas ao longo dos cinco anos e, após acompanhar os depoimentos prestados durante o julgamento, que sua interpretação dos acontecimentos mudou.
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Pela primeira vez, Monique culpa ex-companheiro pela morte de Henry: 'Hoje creio que quem matou meu filho foi Jairo'



