Papa Leão XIV: o que é adenocarcinoma pulmonar, o câncer do pontífice

A cirurgia do Papa Leão XIV, realizada nesta terça-feira (13), mostrou que o nódulo detectado em exames é um adenocarcinoma pulmonar. O câncer é um dos mais comuns entre os tumores pulmonares, em escala global. No Brasil, são cerca de 31 mil novos casos a cada ano.
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O procedimento realizado no Pontífice, de 71 anos, durou cerca de 90 minutos e confirmou que o tumor era cancerígeno. De acordo com os médicos, parte do pulmão direito do Papa foi retirado durante a cirurgia “para garantir que o procedimento fosse radical”. Esta é a primeira internação do Papa Leão XIV desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, em maio de 2025.
Causas do adenocarcinoma pulmonar
Embora o tabagismo seja um fator de risco importante, o adenocarcinoma é o tipo de câncer de pulmão mais comum entre quem nunca fumou, segundo a Sociedade Americana do Câncer.
Adenocarcinoma é um tipo de câncer que se origina no tecido epitelial, que reveste órgãos e contém células que produzem e liberam substâncias. Assim, pode aparecer também em outros órgãos, como mama, próstata e intestinos.
Sintomas
Muitos casos de adenocarcinoma pulmonar são assintomáticos no início, mas podem surgir:
Tosse persistente ou com sangue (hemoptise)
Falta de ar (dispneia)
Dor no peito
Fadiga e perda de peso sem causa aparente
Fatores de risco
Um dos principais fatores de risco da doença é o tabagismo, passivo ou ativo, porém a exposição a agentes ambientais e ocupacionais (como amianto, sílica, radônio e poluição do ar), também pode aumentar a possibilidade do tumor, bem como doenças pulmonares pré-existentes, histórico familiar ou predisposição genética (mutações em genes como EGFR, ALK ou KRAS).
Helano Freitas, colíder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo afirmou que o cenário do tratamento do adenocarcinoma de pulmão mudou drasticamente para melhor nos últimos 15 anos – graças às terapias-alvo e à imunoterapia.
“Mutações no gene EGFR estão presentes em cerca de 20% dos casos de adenocarcinoma de pulmão. Inibidores de EGFR foram as primeiras terapias-alvo a demonstrar maior eficácia e melhor tolerância em relação à quimioterapia, há cerca de uma década. Desde então, temos três gerações de inibidores de EGFR e conhecemos bem mais sobre como o tumor consegue ficar resistente ao tratamento. O reflexo disso é que os pacientes estão vivendo mais e melhor”, explicou o médico durante a aula: “A Transformação do Adenocarcinoma de Pulmão nos Últimos 15 Anos – Perspectiva do Oncologista”.
A imunoterapia também tem contribuído de maneira importante para o aumento de sobrevida dos pacientes com câncer de pulmão.
A médica Ludhmila Hajjar, professora titular das Emergências Clínicas na FMUSP, disse que “esse tipo de câncer, quando está isolado, tem grandes chances de cura”.
Tratamento
O tratamento vai depender exclusivamente das particularidades do paciente. Fatores como a origem do tumor e o tamanho da doença, por exemplo, são levados em consideração. Entre as alternativas mais comuns estão:
Cirurgia;
Quimioterapia;
Imunoterapia;
Terapias-alvo, que devem ser realizadas em um centro oncológico.
Como prevenir a condição?
Algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco do surgimento dessa condição. Como, por exemplo, parar de fumar para quem é fumante. O ato é a principal causa de câncer de pulmão, incluindo o adenocarcinoma pulmonar. Se você fuma, talvez seja interessante adotar métodos para reduzir o consumo. Se você não fuma, evite o tabagismo passivo e não fique perto de pessoas fumando.
Manter uma dieta saudável também está entre as principais mudanças de hábito. Uma dieta rica em frutas, verduras e grãos integrais pode ajudar a reduzir o risco de câncer. Portanto, tire alimentos processados e gordurosos da sua dieta. Evitar a exposição a agentes cancerígenos, como amianto, radônio e produtos químicos tóxicos.
Fazer exames regulares com o seu médico pode ajudar a detectar qualquer sinal de alteração no pulmão e, por fim, manter um estilo de vida saudável com sono adequado, redução do estresse e prática regular de atividade física.
Operação do papa
O papa Leão XIV chegou na manhã desta terça-feira ao Hospital Gemelli, em Roma, para a retirada de um nódulo do pulmão — descoberto durante exames médicos de rotina. Ele acenou para as pessoas que o saudavam durante o trajeto. Ao chegar ao Gemelli, entrou pela porta principal do hospital, sorrindo e acenando para dezenas de fiéis que se reuniram no local para recebê-lo.
No começo da tarde, o Vaticano informou que a cirurgia do pontífice havia terminado “com sucesso”. A operação foi realizada por uma equipe liderada pelo chefe de cirurgia torácica do hospital, Stefano Margaritora. Esta é a primeira internação do Pontífice americano, de 71 anos, desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, em maio de 2025.
A previsão é que o Papa permaneça internado por cerca de uma semana para se recuperar da cirurgia. O Vaticano anunciou na segunda-feira o cancelamento de todas as suas audiências até 20 de outubro.
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