Oxalá é uma divindade negra africana, reverenciada há milênios e reconhecida como o pai dos seres humanos e de muitos Orixás. Por isso, seu aṣọ funfun cobre uma poderosa força negra, que é a essência do universo e a origem do grande Òrìṣà.
Esse manto branco que envolve Oxalá revela a luz, a paz e o equilíbrio que ele oferece ao mundo. Por baixo dessa claridade vive a força da escuridão primordial que sustenta o universo. A ciência mostra que quase toda a existência é formada por energia escura, enquanto a luz visível representa apenas uma pequena parte da realidade cósmica. Assim também se manifesta o mistério de Oxalá. A luz que vemos é apenas a expressão de uma força muito mais profunda.
A dinâmica do universo confirma a potência dessa escuridão criadora. Os buracos negros, silenciosos e invisíveis, exercem papel essencial na evolução das galáxias. Regulam a formação de estrelas, moldam estruturas gigantescas no cosmos e influenciam o próprio tecido do espaço e do tempo, inserido na velocidade da luz. Aquilo que parece oculto muitas vezes sustenta toda a existência.
Olódùmarè criou o universo e confiou a Oxalá a tarefa de moldar a Terra e dar origem aos seus habitantes. Por essa missão sagrada, Oxalá tornou-se o pai de todos os seres. Não há separação diante dele, pois todos compartilham a mesma origem.
Por isso, as divindades o reverenciam e se curvam diante de sua grandeza, vestindo o branco, que simboliza autoridade serena, equilíbrio e paz.
O manto branco de Oxalá representa a luz do universo e, por isso, também aparece nos ritos fúnebres. Ele simboliza o caminho luminoso que conduz os espíritos em sua travessia. Quando o ser humano veste o branco, aproxima-se simbolicamente dessa luz e atrai para si a sabedoria que emana do grande Òrìṣà (Orixá).
Essa luz não é apenas claridade exterior. Ela se manifesta como sabedoria para viver. O talento, por si só, não sustenta uma vida equilibrada. Sem consciência do próprio valor e sem humildade para conduzi-lo, o talento perde seu sentido.
O verdadeiro poder de Oxalá não está na imposição nem na autoridade. Está na capacidade de gerar paz. Brigar é fácil. Difícil é originar e sustentar a paz. Uma guerra pode atravessar séculos, mas a paz é eterna. Essa paz pertence a Oxalá, pois Oxalá é a própria paz.
Todos reconhecem a grandeza de Oxalá. De Exu a Ibéjì e até os ancestrais aceitam o àkàsà do grande pai como oferenda que aproxima o corpo do sagrado.
Senhor do Orí e participante de sua própria criação, Oxalá é também guardião do equilíbrio mental do ser humano. Dele vem a serenidade que organiza o pensamento, orienta as escolhas e conduz a vida pelo caminho da harmonia.
Assim, sob o branco que ilumina o mundo permanece a profundidade negra da origem. Nela habita o mistério de Oxalá, o Òrìṣà (Orixá) africano, pai de todos.
Àwa jẹ́ ìran iná kékeré nínú ìmólẹ̀ ńlá Ọ̀ṣàlá! (Somos uma pequena faísca na grande luz de Oxalá!)
Axé para todos!
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