O sal serve para salgar: na vida é preciso dar sentido, preservar, transformar

“Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.” Mt 5:13
O mito do Graal nos revela incontáveis lições de vida, mas quero ressaltar o diálogo de Parcival com o Graal. Depois de uma longa procura que durou quase toda a sua vida, quando finalmente ele se encontra com Graal, pergunta sem rodeios: qual o propósito, o sentido da vida? Ao que o Graal lhe responde: a vida serve para servir.
Suponho que, para muitos, essa resposta possa parecer piegas, especialmente em meio a uma sociedade hipnotizada pelo culto ao corpo, inebriada pela luxúria, e tragada por uma onda de inversão de valores éticos e morais. Chega-se a pensar que a vida de verdade se resume a sexo, cartão de crédito e shopping.
O verso em destaque ressalta o olhar de Jesus sobre o verdadeiro valor e a finalidade da vida: ser diferente para fazer a diferença.
Ele lança mão de algo cotidiano, simples e universal, para que todos compreendam sua intenção: o sal.
Jesus Cristo alerta sobre a importância da vida e sobre nossa capacidade de promover situações favoráveis — ou não. Força, habilidade e inteligência estão disponíveis a cada um de nós. São valores que nos capacitam a impactar, transformar e nos tornar fundamentais no exercício do verbo viver.
Como bem afirmou Viktor Frankl, “a vida nunca se torna insuportável por causa das circunstâncias, mas apenas pela falta de sentido e propósito”. E talvez seja exatamente aí que o sal encontre seu verdadeiro significado: dar sentido, preservar, transformar.
Valores humanos, dados por Deus, podem fazer toda a diferença na nossa vida e na vida de tantos outros. Basta decidirmos assumir nossa função de “salgadores”. Pois, para o Graal e também para o Santo de Deus, o sal dentro do saleiro não serve para nada; mas, lançado em contato com o alimento, torna-se determinante para o sabor, despertando lampejos de verdadeiros e surpreendentes feitos.
Somos um sal que salga ou não?
Infelizmente, também temos o poder de inutilizar, aprisionar e enterrar nossos talentos (Mt 18:24; 25:15). Há aqueles que, por medo, insegurança ou timidez, veem escapar, impassíveis, belíssimas oportunidades que talvez não se repitam, testemunhando o próprio insucesso por uma omissão lamentável.
Jesus nos encoraja a salgar. Ele é o Senhor das aventuras. Pois é assim que vejo a vida: uma contínua e surpreendente viagem, com trechos previsíveis e outros nem tanto — mas todos contribuindo para o espetáculo da existência, que nunca se deixa domar.
Em As Crônicas de Nárnia, Aslan é um leão imprevisível e indomável, mas profundamente amoroso. Assim vejo a vida e todos aqueles que decidem assumir seu papel determinante de salgadores. Talvez nunca alcancem a tão desejada segurança, mas, de alguma forma misteriosa, estarão envolvidos por uma aura de amor salvífico que os fará compreender: sempre valerá a pena salgar.
E então, vamos salgar?



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