A CBF tenta tratar Neymar como apenas um entre os 26 convocados para a Copa. Mas o primeiro dia na Granja Comary, em Teresópolis, já mostrou as dificuldades desta missão. A diferença ficou evidente antes mesmo de ele pôr os pés no local. Dos 22 que se apresentaram ontem, o camisa 10 do Santos foi o único que não chegou num dos helicópteros fretados pela CBF. Fez sua primeira aparição em grande estilo: numa aeronave própria, um modelo de luxo avaliado em R$ 50 milhões e customizado com suas iniciais na parte externa e bancos de couro com o símbolo do Batman.
As diferenças entre Neymar e o restante do elenco até poderiam parar neste episódio mais pitoresco. Mas foram além. Fisicamente, ele também se encontra em outro estágio. O atacante, que chegou com uma lesão na panturrilha direita, foi uma das ausências da primeira atividade em campo. A outra foi Danilo, do Flamengo. Mas apenas por estar desgastado fisicamente após ter atuado por 90 minutos pelo rubro-negro na noite anterior.
Neymar passou pelas mesmas avaliações físicas que os demais. Depois, a CBF informou que ele foi encaminhado a uma clínica na cidade para a realização de exames complementares. A entidade quer ter noção da gravidade de sua contusão. Embora o Santos tenha tratado publicamente o caso como um edema leve, a comissão técnica da seleção desconfia que seja mais grave, o que o deixaria fora dos amistosos contra Panamá (domingo, no Maracanã) e Egito (dia 6, em Cleveland, nos Estados Unidos) e, talvez, até da estreia contra Marrocos (dia 13, em Nova Jersey, nos EUA).
Esta situação deixa Neymar num estágio mais atrasado dentro do planejamento da comissão técnica para os atletas. Ele é dividido em três partes. A primeira, esta semana, é vista como fundamental, pois passa pela avaliação médica e a equiparação física dos jogadores.
O grupo de convocados é muito heterogêneo. É formado por atletas que vieram de ligas diferentes e foram submetidos a estímulos distintos em relação a clima, minutagem e intensidade.
Em relação aos que registram maior carga de trabalho na temporada estão Vini Jr, com 4.721 minutos em campo (sem contar os acréscimos), Gabriel Magalhães (soma 4.334 minutos, mas ainda não se apresentou, pois vai jogar a final da Liga dos Campeões da Europa, no sábado, assim como Marquinhos e Gabriel Martinelli); e Bruno Guimarães (3.789 minutos).
Já entre os que chegam com uma minutagem mais baixa estão Endrick (1.776 minutos) e Rayan (1.219 minutos). Além dos atletas que atuam no futebol brasileiro e, consequentemente, tiveram férias há menos tempo que os demais.
A heterogeneidade aparece também no histórico recente de lesões. Alguns atletas chegam aptos, mas registraram longos períodos no departamento médico de seus clubes na temporada. São casos como os de Alisson, que só voltou a atuar no último fim de semana após passar dois meses como desfalque; Raphinha, Bremer e Alex Sandro.
O foco nesta semana será em tirar a carga de desgaste de quem veio de uma batida recente, como os atletas que atuam no Brasil, e fazer trabalhos de aquisição de condicionamento para os que atuam por ligas estrangeiras encerradas há mais de uma semana. São estes os favoritos para iniciarem os trabalhos de campo e para o amistoso de domingo.
Na segunda parte, semana que vem, já nos EUA, o trabalho servirá para ganho físico e homogeneização de todo o grupo. O teste será no dia 6, contra o Egito, já com os três finalistas da Champions integrados. Quem não for titular nos amistosos, receberá uma carga ainda maior de trabalho para estar preparado para a Copa.
O objetivo é que, na semana da estreia, a maioria da delegação já esteja no mesmo nível físico. A dúvida é Neymar, que antes precisa tratar sua lesão. Diferente em tudo.



