De dois meses para cá, o Flamengo ganhou um novo e inesperado “camisa 10”: Samuel Lino. Na ausência de Arrascaeta e outros meio-campistas por conta da Copa do Mundo, Leonardo Jardim encontrou um novo posicionamento para o ponta-esquerda, que vive um dos melhores momentos com a camisa do clube desde então. Mesmo com o uruguaio de volta, há chance que ele mantenha a função diante do Internacional, no Beira-Rio, às 19h30 de hoje, em jogo da 21ª rodada do Brasileirão.
Contratado há cerca de um ano a peso de ouro junto ao Atlético de Madrid, Lino chegou causando impacto e até marcou o gol do título nacional em 2025, contra o Ceará. Porém, não engrenou de fato no rubro-negro. Entre as críticas da torcida, estavam a baixa eficiência nos chutes e o jogo preso demais à lateral.
A demissão de Filipe Luís e a chegada de Leonardo Jardim, em março, acabaram representando uma virada de chave, com o camisa 16 ganhando mais liberdade para centralizar e até armar as jogadas. O que era inicialmente uma orientação tática do treinador português virou função central na vitória por 3 a 0 sobre o Coritiba, em maio, a última antes da Copa — marcou dois gols e deu uma assistência.
— Jogando como um 10, o Lino vai circular, gosta de ter essa movimentação, essa liberdade, para poder ofertar tudo que tem no jogo dele. Além disso, estando por dentro, vai poder se movimentar para todos os lados, então pode fazer as diagonais para fora: do centro para a esquerda, ou para a direita. E como ele tem muita leitura de espaço e ataca o vazio, pode fazer isso para qualquer lado — explica o analista Raphael Rabello, do canal “Falando de Tática”. — Jogando como ponta, mesmo que seja por dentro, ele vai estar mais restrito, porque não vai poder estar tão do lado direito — pontua.
Jardim manteve os testes nos quatro amistosos da intertemporada, e Samuel Lino correspondeu, conseguindo um gol e uma assistência contra o River Plate, e repetindo a dose contra o Benfica. Na volta do Brasileirão, deu nova assistência para Pedro diante da Chapecoense, e ficou próximo de definir uma vitória contra o São Paulo.
O impedimento de “chuteira” de Wallace Yan, flagrado pelo sistema semiautomático, impediu que Lino coroasse outra boa atuação, e levantou as brincadeiras nas redes sociais sobre seu azar na hora de fazer gols importantes. Isso aconteceu quando teve uma bola na rede anulada na estreia pelo Flamengo, em jogo da Copa do Brasil contra o Atlético-MG; da mesma forma na partida de ida da semifinal da Libertadores, contra o Racing; ou quando o rubro-negro vencia o São Paulo com gol dele no último Brasileirão, mas Plata foi expulso e a equipe levou o empate.
Nada que tire a importância crucial do ponta/meia no atual esquema de Jardim, que estabilizou a dupla de ataque formada com Pedro.
— O Jardim gosta de um time mais agressivo em último terço, que ataque o espaço, a última linha, que faça esse movimento do “facão”. O Lino entendeu essa demanda por dentro e passou a portar isso para o time. Isso potencializa a forma como o time ataca. O único asterisco no jogo do Lino ainda é a questão da finalização, ainda perde muito, mas não existe jogador perfeito — analisa Rabello. — Fora isso, tem uma capacidade muito grande de jogar em espaço curto; tabela muito bem; se associa; é ambidestro; é um grande passador; tem uma leitura dos espaços absurda; e é um cara que deixa tudo em campo também, está se movimentando o tempo inteiro.
Em 34 jogos oficiais em 2026, Samuel Lino tem seis gols e dez assistências, sendo o líder do elenco neste segundo quesito. Os números são quase o dobro do que fez em 2025, com quatro bolas na rede e cinco passes para gol em 31 partidas.
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A tendência é que, quando Arrascaeta voltar ao 100% de sua forma física, ele tome conta da posição em definitivo. Mas o camisa 16 abriu seu leque de atuação e pode servir como uma sombra no setor, até mesmo se chegarem reforços.
— Acho que o Lino vai continuar atuando pela esquerda, com o Bruno Henrique indo para o banco, e o titular vai ser o Arrasca, quando retomar o ritmo. Acho que tem que ser assim mesmo, ele vai ser uma espécie de reserva imediato. Talvez, vai estar na frente da fila em relação ao Paquetá (e ao próprio Almada, se vier mesmo) — opina Rabello. — A não ser que o Arrasca não consiga retomar o bom futebol, mas acho que isso demoraria muito tempo ainda. Ele teria que estar muito tempo jogando mal para virar um reserva, e aí o Lino seria esse favorito a virar o 10.



