Nos EUA, 58 pessoas identificadas e pelo menos sete vítimas: polícia investiga serial killer em casa do terror

Investigadores da polícia de Filadélfia (EUA) acreditam terem reconhecido pelo menos sete vítimas do suspeito de ser um assassino em série Raymond Horsch, mais conhecido como RC, que morreu no ano passado aos 82 anos.
Agora, equipes estão a procura dos restos mortais e de outras evidências dentro da casa de Raymond, que morava com o filho, Eugene Albert Horsch; eles afirmam ter encontrado mais de um milhão de vídeos e fotos na residência do fotógrafo e diretor pornográfico americano.
Quem é Raymond ‘RC’ Horsch
Com mais de meio século de carreira, Raymond Horsch começou na direção de filmes eróticos em 1973, com “As Memórias Eróticas de um Porco Machista” (The Erotic Memoirs of a Male Chauvinist Pig), dirigindo até pouco tempo antes de sua morte, aos 82 anos, em 2025.
Raymond Horsch em 2014
S. E. Stokowski
Em um perfil psicológico obtido pelo jornal “The Philadelphia Inquirer”, datado de 1985, Raymond já era definido como um “manipulador criminoso consumido pela raiva”: “Ele é grandioso, desconfiado, suspeito e excessivamente controlador”, afirmou o psicólogo Don Seraydarian para o relatório, parte de uma investigação federal sobre fabricação de drogas.
Aos 41 anos, ele já era considerado foragido da justiça, passando anos na Nova Zelândia fugindo de acusações criminais por falsificação de dinheiro e por administrar um laboratório de metanfetamina.
Seu primeiro filme foi financiado por Sam “The Barber LaRussa, proeminente mafioso de Filadélfia e dono de boate, que era amigo de Nicodemo “Little Nicky” Scarfo, que se tornou líder da máfia na região.
Prisão de filho ‘escancarou’ caso
Raymond morreu em maio do ano passado aos 82 anos, mas sua possível “carreira” de serial killer só começou a ser descoberta recentemente — até então, ele nunca tinha sido acusado por crimes violentos.
Tudo começou em junho, quando um guarda-florestal abordou um BMW estacionado ilegalmente perto do Independence Hall. Dentro, afirma a NBC News, ele encontrou Eugene Horsch e uma mulher que apresentou uma identidade com o nome de Blair Tonzelli, que desapareceu em 2023.
Blair Tonzelli desapareceu em 2023
NamUs
Credenciais identificando Eugene como um agente federal também foram encontradas, levando agentes até a casa de Eugene — e de Raymond — no bairro de Olney,
A busca e apreensão acabou resultando na descoberta de armas de fogo, credenciais fraudulentas de agentes da lei federais, drogas, recipientes com substâncias não identificadas e cinco urnas contendo restos cremados.
Nos mais de 50 discos-rígidos apreendidos, os investigadores encontraram mais de um milhão de fotos e vídeos de mulheres dentro da casa.
Quem são as mulheres identificadas até agora
Até o momento, a polícia da Filadélfia conseguiu identificar 58 pessoas no material audiovisual. Cinco parecem “sem vida ou inconsciente”, outras dez morreram por overdose em outros locais e, entre as 43 restantes, 16 negaram dar depoimento.
Da esq para dir: Gabrielle Amarando, Maribel Fresses e Nicole Fusaro
NamUs/Facebook
Entre as mulheres que aparecem sem vida estão Gabrielle Amarando, Maribel Fresses e Nicole Fusaro, afirma a CBS News. Amy McHale, ex-esposa de Horsch, e Blair Tonzelli, que teve sua identidade usada pela mulher que estava no carro com Eugene, continuam desaparecidas.
Nas imagens, afirma o vice-comissário da polícia, Frank Vanore, foi possível identificar Gabrielle Amarando, que desapareceu em 2021 aos 22 anos, e Maribel Fresses, que desapareceu em 2018 aos 27 anos.
Mas nenhum dos corpos foi encontrado e nenhum outro vestígio de DNA relacionado a qualquer uma das mulheres foi localizado.
Vanore também afirma ter encontrado, em outra coleção de vídeos — datada de 2017 — imagens de uma mulher nua usando drogas e, depois, sendo estrangulada por Raymond, que também aparece nu. As autoridades acreditam se tratar de Nicole Fusaro, que desapareceu em 2018, aos 27 anos.
As descobertas levaram a polícia a reabrir, também, o caso de Amy McHale, ex-mulher de Raymond, que desapareceu em 2016 aos 44 anos, totalizando as cinco vítimas identificadas até o momento: não há nenhuma informação sobre as outras duas que aparecem sem vida nas imagens.
Amy McHale, ex-mulher de Raymond
Facebook/Have you seen Amy Mchale
‘Eu faço o vilão’
Em 2013, Raymond participou de um podcast onde respondeu a diversas questões sobre sua vida na indústria pornográfica.
No episódio em que participou do “Rialto Report”, Raymond falou mais sobre o seu papel nos filmes adultos que fez:
“É claro que eu tinha uma certa aptidão natural para o papel de assassino em série pervertido, não foi nenhum esforço da minha parte. Eu costumo interpretar o papel, ou melhor, exagerar no papel de vilão, sim. Quer dizer, eu tento tirar o máximo proveito disso. Penso: por que não? Não consigo tirar proveito de mais nada.”
Um dos apresentadores perguntou a Raymond o que ele quis dizer quando afirmou se considerar um “sociopata”, ao que ele respondeu:
“Isso vem desde que me lembro, eu não gosto da sociedade. Eu não gosto da civilização.”
O que acontece agora
Até agora, as autoridades não conseguiram encontrar nenhum resto mortal ou evidência de DNA na residência. Segundo informações, as urnas encontradas na residência pertencem ao próprio Raymond Horsch, à irmã dele e a um amigo. As outras duas ainda não foram identificadas.
Segundo o FBI, apenas 30% das evidências digitais foram analisadas até o momento. Segundo a NBC Philadelphia, os investigadores também aguardam os resultados dos testes realizados em substâncias químicas encontradas no porão da propriedade.
A suspeita é que elas podem ter sido usadas para destruir provas ou dissolver restos mortais.
Enquanto isso Eugene, filho de Raymond, segue sob custódia federal por acusações relacionadas à posse ilegal de armas de fogo. Ele não foi indiciado por nenhum crime relacionado ao desaparecimento das mulheres.



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