Nathalia Dill, o espírito Francesca de ‘Quem ama cuida’, conta que gostaria de se comunicar com os avós: ‘Nenhum conheceu minha filha’

No início, Francesca (Nathalia Dill) era uma mulher misteriosa, que surgia e sumia repentinamente para Otoniel (Tony Ramos). Com o avançar dos capítulos de “Quem ama cuida”, depois de muito aguçar a curiosidade do público, revelou-se que a personagem era um espírito por quem o entregador de flores, que tem o dom da mediunidade, havia se apaixonado.
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O amor impossível acabou se transformando numa amizade transcendental, e a ex-cozinheira de Arthur (Antonio Fagundes) demonstrou ser uma “fantasminha camarada” — tal qual Pluft, da peça teatral infantil escrita por Maria Clara Machado em 1955. E trouxe do além informações importantes para ajudar a heroína da história, Adriana (Leticia Colin), em sua vingança contra a família Brandão, que a condenara injustamente à prisão.
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Recentemente, a alma penada pôs as manguinhas de seu vestidinho preto indefectível de fora e passou a assustar Pilar (Isabel Teixeira) e Diná (Rosi Campos) com fenômenos sobrenaturais, como fazia Beetlejuice, do filme “Os fantasmas se divertem” (1988). Mas será que Francesca, que habita a tela da TV — como a aterrorizante Samara, do filme “O chamado” (2002) —, também seria capaz de matar?
— Já ouvi essa teoria e não descarto a possibilidade de ela ter influenciado Otoniel ou qualquer outro personagem a ter assassinado Arthur — instiga Nathalia Dill, convidada pelo EXTRA a posar para um ensaio de fotos livremente inspirado nos três famosos fantasmas da ficção citados acima e que aparecem nas três imagens abaixo.
Beetlejuice, Pluft e Samara: fantasmas famosos da ficção inspiraram ensaio fotográfico
Fotos de reprodução de internet
Dia desses, você publicou em suas redes sociais uma foto com Guilherme Fontes, intérprete do espírito obsessor Alexandre, da novela “A viagem” (1994). O público tem comparado Francesca ao famoso personagem, né?
Foi um encontro sobrenatural (risos), totalmente ao acaso! Alexandre é um personagem muito icônico! Virou meme até de política. Acho inevitável as pessoas compararem… Eu me divirto com os termos usados para se referirem a Francesca na internet (Frantasma, Dillfunta, Alexandra…).
Na sua interpretação, Francesca voltou a este plano com a missão de ajudar Adriana ou veio se libertar do próprio passado?
Acho que as duas coisas estão interligadas. Ela tem uma urgência enorme em tentar entender e resolver algo que aconteceu com ela, e isso se mistura com a trajetória da Adriana. Essa é a minha teoria, né? Amo que o público também tenha criado outras tantas histórias sobre Francesca! Só uma obra aberta é capaz de proporcionar isso. A trama vai sendo construída junto com sua repercussão, existe um diálogo com quem a assiste. E hoje em dia a internet é uma grande aliada, antigamente só havia as opiniões das ruas. Às vezes, reclamam que novela é uma obra longa demais. Mas é o tamanho dela que faz com que essa troca seja viável. A gente grava, as pessoas veem e reagem, e entendemos o que funcionou e o que não bateu. Essa é a graça.
Guilherme Fontes e Nathalia Dill: encontro “sobrenatural”
Reprodução/Instagram
Das teorias curiosas que surgiram sobre Francesca, qual a agrada mais?
Acho engraçado ela poder ser mãe de todo mundo. Já sugeriram que Brigitte (Tatá Werneck), Ingrid (Agatha Moreira), Pedro (Chay Suede) e Heitor (Renato Góes) fossem filhos dela. Que ela teria tido um caso com Arthur. E ainda existem os desafetos com Pilar, com Diná… Além disso tudo, há a curiosidade sobre quem é essa mulher, abordando o espiritismo na novela. A temática religiosa vem se sobressaindo com aquele grupo de estudos.
Qual é a sua religião?
Eu não sigo uma específica. Respeito e acredito em todas, acho que de alguma forma elas se conectam. Curioso é que sempre estou fazendo personagens ligadas à espiritualidade ou a alguma religião.
Seria coincidência ou o seu biotipo angelical influencia nessas escalações?
Não sei dizer, sinceramente. O primeiro trabalho que eu fiz no audiovisual foi um filme do Selton Mello, estreia dele como diretor, intitulado “Feliz Natal” (2008). Eu era o espírito da história!
Valiana (Nathalia Dill) se apaixonou por Padre Bida (Rodrigo Lélis) em “Guerreiros do sol”
Reprodução/Globoplay
E aí vieram Santinha, de “Paraíso” (2009), moça extremamente religiosa; Viviane, de “Escrito nas estrelas” (2010), que tinha laços cármicos com pai e filho; Silvia, de “Joia rara” (2013), uma novela com temática budista; Laura, de “Alto astral” (2014), que se relacionava com um médium; Valiana, de “Guerreiros do sol” (2025), que se apaixonava por um padre…
E em “A dona do pedaço” (2019), minha personagem (Fabiana) cresceu num convento!
Especificamente com relação à vida após a morte, qual é o seu entendimento?
Às vezes eu acredito, às vezes não. Eu vou mudando de opinião, não tenho uma definida.
Francesca (Nathalia Dill) e Otoniel (Tony Ramos) em cena de “Quem ama cuida”
Estevam Avellar/Rede Globo
A ideia de existir espíritos entre nós, humanos, lhe causa medo?
Depende de onde eu estou (risos). Se com pessoas em volta, não. Mas, se estou sozinha, em casa, dá um medinho. Nunca passei por nenhuma experiência sobrenatural.
Você lida com a morte com tranquilidade?
Ah, é difícil, né? Principalmente ao pensar em perder as pessoas que amo. Isso me preocupa mais do que a minha própria morte.
Como você gostaria que fosse o seu fim?
Nunca pensei nisso… Acho que gostaria que minha morte fosse leve, e não uma tragédia. Situações agoniantes, como morrer afogada, me assustam.
A atriz Nathalia Dill, intérprete do espírito Francesca, em “Quem ama cuida”, em ensaio de fotos exclusivo para a Canal Extra com inspiração em fantasmas famosos: Pluft, Beetlejuice e Samara
Vinícius Mochizuki
Das pessoas queridas que já partiram desta vida, se você tivesse a oportunidade de conversar novamente com o espírito de uma delas, com quem gostaria?
Com os meus avós… Nenhum deles conheceu minha filha (Eva, de 5 anos). Minha avó Eunice faleceu quando eu e minha irmã (Julia) estávamos grávidas. Eva lembra muito ela, fala umas coisas parecidas… As duas são capricornianas. Outro dia, falou: “Mãe, quero chamar as minhas amigas e oferecer um camarão”. Era o prato preferido da minha avó! Eu, quando criança, não gostava de camarão.
Você costuma reverenciar os mortos? No Dia de Finados, vai ao túmulo, oferece flores?
Não tenho esse costume. Mas deveria fazer…
Joel (Ricardo Teodoro) e Francesca (Nathalia Dill) em ‘Quem ama cuida’: mãe e filho
Beatriz Damy/Rede Globo
E gravar no cemitério, incomoda?
Não gosto, porque energias diferentes se cruzam. Você está ali trabalhando e há situações reais acontecendo em volta, pessoas se despedindo de verdade de alguém querido. É algo muito importante para ser interrompido ou desvirtuado, por mais que todo mundo seja muito respeitoso.
Você se protege antes de entrar nesse espaço? Tapa o umbigo, por exemplo?
Não tapo. Só entro e saio com muito respeito. E não fico abalada, com a energia baixa, nada disso.
Você já conheceu alguma Francesca?
Só a estilista (a paulistana Francesca Monfrinatti). A grife dela é maravilhosa! Outro dia, tinha uma peça com etiqueta lá em casa, meu marido (o músico Pedro Curvello) viu e falou: “Francesca? É uma coincidência?”. Eu respondi que sim, e ele: “Cara, que loucura!”.
Nathalia Dill grava “Quem ama cuida” no cemitério
Reprodução de Instagram
Por falar nisso, Francesca só usa aquele vestidinho preto. São quantos iguais no figurino dela?
Posso falar a verdade? Por meses, foi um só (risos). Agora são dois idênticos. Eu também gosto de peças pretas. Tenho muito blazer, jaqueta e calça dessa cor, que é básica e discreta, bem ao meu estilo.
Sua personagem era uma exímia cozinheira, em vida. Deixou de herança um disputado caderno de receitas… Você tem esse talento?
Ah, eu me viro. Não tenho um prazer enorme em cozinhar, mas sei fazer umas coisinhas. Gosto de preparar panqueca de banana e aveia pra minha filha, lanches em geral. Manjar e pastel, especialidades da Francesca, eu não sei fazer. Mas adoro comer! Quem não gosta (risos)?
É… Só não gosta quem já morreu!
A atriz Nathalia Dill, intérprete do espírito Francesca, em “Quem ama cuida”, em ensaio de fotos exclusivo para a Canal Extra com inspiração em fantasmas famosos: Pluft, Beetlejuice e Samara
Vinícius Mochizuki
Créditos do ensaio fotográfico
Produção executiva: Naiara Andrade @naieusou
Fotos: Vinícius Mochizuki @viniciusmochizuki
Assistência de fotografia: Rodrigo Rodrigues e Josias Vieira @josiasvieirareal
Estilo: Fernanda Brasil @fernandah_brasil
Beleza: Ana Gil @anagil.art
Nathalia Dill veste:
Calçados @shutzoficial
Roupas e acessórios do acervo @fernandah_brasil
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