À mesa, ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional da Presidência da República, ministro Sérgio Westphalen Etchegoyen.
Foto: Marcos OliveiraAgência Senado
Sergio Etchegoyen, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, comenta os desdobramentos da tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023
O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo de Michel Temer, Sergio Etchegoyen, afirmou, em entrevista à CNN nesta quarta-feira (19), que não acredita na “trama golpista” arquitetada após o resultado das eleições presidenciais de 2022 e que não via chance de golpe.
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“Eu pessoalmente não acredito na trama golpista. Eu acho que houve uma grande quebra-quebra em Brasília. Eu acho que ele foi estimulado por alguns irresponsáveis”, afirmou o general, em referência aos atos de 8 de janeiro de 2023. Etchegoyen disse não acreditar que os oficiais envolvidos nos episódios investigados pela Justiça fizessem parte de uma conspiração ampla para derrubar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Mas imaginar que oficiais que eu conheci, como os que estão condenados, participavam de uma grande conspiração. Não são pessoas sem inteligência. Para derrubar o presidente da República ou para bancar um presidente que reclamava que a eleição não era justa”, disse. O ex-ministro afirmou ainda que não acreditava que as Forças Armadas tivessem disposição para participar de uma ruptura institucional após a eleição de 2022.
Segundo Etchegoyen, a mobilização que se seguiu à derrota de Bolsonaro não chegou a envolver uma ação militar concreta. Ele citou a ausência de tropas nas ruas e de uma movimentação nos quartéis como argumentos para questionar a classificação dos episódios como uma tentativa de golpe. “Forças Armadas estão pagando pelo que alguns militares fizeram, num processo injusto. E não tivemos golpe porque as Forças Armadas não aderiram”, afirmou.
“Não tivemos golpe porque as Forças Armadas não aderiram”, declarou o general Sergio Etchegoyen em entrevista à CNN.
Etchegoyen também comentou a decisão dos Estados Unidos de declarar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. “É uma medida unilateral em que os estrangeiros tentam estender a sua legislação, a extraterritorialidade da sua legislação ao Brasil, e isso não vai acontecer”, disse. O general, porém, defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
“Não haverá condição de combater o crime organizado sem cooperação internacional”, afirmou. Etchegoyen citou a necessidade de parceria com países vizinhos, incluindo Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai, para enfrentar o tráfico de drogas. “A droga é um grande negócio, de homens de negócio que sabem fazer esse negócio. É indispensável que o Brasil coopere com todo mundo”, concluiu.
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