‘Luzes misteriosas’ intrigam moradores de pequena cidade nos Estados Unidos

Moradores da pequena cidade de Lone Pine (Califórnia, EUA) vinham sofrendo com “fortes e misteriosas luzes”, que julgavam serem capazes até de “cegar uma pessoa”, como reportou um morador ao San Francisco Chronicle. “Eles emitem tanta energia que você não pode ficar na frente deles ou se queima”, disse o morador: “Foi inacreditável”.
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No entanto, a misteriosa luz não vinha de extraterrestres nem de testes secretos do governo americano: trata-se de uma startup que quer colocar espelhos gigantes na órbita terrestre para “iluminar a noite”.
A Reflect Orbital pretende enviar mais de 50 mil espelhos no que o site da empresa chama de “luz sob-demanda”, que seria capaz de alimentar fazendas solares após o pôr do sol, iluminar ruas da cidade e fornecer iluminação para equipes de resgate.
Ao Metro, a empresa disse que estava testando sua “luz noturna cósmica” usando um par de holofotes de alta potência em uma escavadeira de terra visando simular como equipes de busca-e-resgate poderiam usar a tecnologia.
A equipe de resgate de montanha de China Lake realizou exercícios utilizando as luzes da Reflect Orbital. Phillip Cash, voluntário e líder de operações da ONG, disse que o deserto estava mais claro do que numa noite de lua cheia: “Não há luz e, de repente, você consegue enxergar a cinco quilômetros de distância em todas as direções”, disse ele, acrescentando que era “mais fácil” trabalhar com luz.
Na última semana, a empresa anunciou a compra de dois lançamentos de foguetes. A primeira missão vai ser o teste do satélite Eärendil-1, que lançaria um espelho de 18 metros a 640 quilômetros de altitude no cosmos para refletir a luz solar em uma área circular de 4,8 quilômetros de diâmetro abaixo da superfície.
Astrônomo critica empresa
Robert Massey, vice-diretor executivo da Sociedade Real de Astronomia do Reino Unido, no entanto, crítica a ideia da startup: “Estamos profundamente preocupados com que, se isso prosseguir, na década de 2030, grandes áreas da superfície da Terra veriam centenas de satélites muito brilhantes simultaneamente, e locais próximos aos feixes que iluminam o solo enfrentariam uma poluição luminosa pior do que em muitos centros urbanos”, afirma.
“Será que algum de nós realmente gostaria que raios de luz vindos do espaço iluminassem nossas casas e locais de trabalho dessa maneira?”, conclui.



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