Liquidação do Banco Pleno: saiba quem é Augusto Lima, dono da instituição

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM, que faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas no segundo semestre do ano passado a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Procurada nesta quarta-feira, a defesa dele preferiu não se manifestar.
Lima era sócio de Daniel Vorcaro desde 2019 no Banco Master. Começou a vida profissional vendendo velas e abadás, mas entrou no setor financeiro em 2018, quando o então governador Rui Costa – hoje ministro da Casa Civil – decidiu privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo.
A parte financeira da operação acabou ficando com Lima, que então criou o CredCresta, um cartão de crédito consignado destinado para servidores públicos e empresas privadas. Foi esta operação que Lima levou ao Master quando se tornou sócio de Vorcaro. O CredCresta tornou-se um braço de negócios importante do banco.
Além de ter boa circulação entre politicos baianos, Lima também tem bom trânsito em Brasília. Em janeiro de 2024, Lima se casou com Flávia Peres, ex-ministra do governo Bolsonaro, ex-deputada federal e ex-mulher do ex-governador do DF José Roberto Arruda. Ele e a mulher criaram a ONG Terra Firme, presidida por ela. A ONG tem como objetivo combater a pobreza e as desigualdades sociais.
Lima deixou a sociedade no Master no ano passado e assumiu o controle do banco Voiter, que integrava o grupo. Mudou o nome do banco para Pleno e fez dois aportes de capital na instituição, que somam R$ 160 milhões.
O que diz a investigação
Lima foi preso em novembro do ano passado junto com Daniel Vorcaro no mesmo dia em que o BC determinou a liquidação do Banco Master. Eles foram soltos por decisão da Justiça cerca de duas semanas depois.
A investigação foi aberta para apurar suspeitas de irregularidades em carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB. A suspeita é que R$ 12,2 bilhões são falsas.
De acordo com a apuração, Augusto Lima foi o criador de duas associações de servidores da Bahia utilizadas pelo Master como as primeiras originadoras das carteiras supostamente fraudadas vendidas ao BRB, em março do ano passado. Segundo as investigações, ele teria deixado “laranjas” à frente das duas organizações, enquanto mantinha o comando das entidades por meio de procurações.
Inicialmente, o Master informou que as duas associações eram responsáveis pela originação de R$ 6,7 bilhões em carteiras de empréstimo consignado. O Banco Central, contudo, concluiu que as entidades não tinham capacidade financeira para movimentar tal volume. Posteriormente, a Tirreno passou a ser apontada como originadora dos títulos vendidos ao banco estatal, em uma operação que teria sido simulada com o uso dessas mesmas associações.
A Polícia Federal sustenta que Augusto Lima integrava o “núcleo” da organização criminosa, responsável pelas decisões centrais do grupo e pela interlocução com agentes públicos. De acordo com as apurações, esse núcleo teria convencido o BRB a adquirir carteiras de baixa qualidade que hoje contribuem para o problema de liquidez enfrentado pela instituição.
Ao lado de Augusto Lima, Vorcaro passou a atuar no mercado de crédito consignado para servidores públicos, segmento que impulsionou o crescimento do Master, e que apresenta indícios de irregularidades e fraudes, segundo as autoridades.
Forte trânsito político
Lima mantinha forte trânsito político e foi apontado como um dos responsáveis por persuadir gestores de fundos de pensão públicos a investir recursos no Master, afirma a PF.
“Esses fatos demonstram a influência dos diretores do Banco Master, especialmente Daniel Vorcaro e Augusto Lima, sobre administradores de recursos públicos, a ponto de regimes próprios e fundos de pensão direcionarem recursos de seus pensionistas para ativos altamente arriscados, evitados por investidores privados, em um banco cuja iliquidez e irracionalidade da gestão eram de conhecimento público — sobretudo entre os demais agentes financeiros”, diz o relatório policial.
Em novembro
Quando a operação foi deflagrada, em novembro, a defesa de Augusto Lima disse que o cliente já havia se desligado das funções no Master em maio de 2024. Disse que as operações investigadas são posteriores à sua saída e, portanto, não guardam qualquer relação com sua atuação profissional ou com decisões tomadas durante sua permanência na instituição.
“Augusto Lima possui histórico ilibado, reconhecido no mercado financeiro e sua atuação sempre foi pautada pela legalidade, transparência e responsabilidade. A defesa tem plena confiança de que a apuração demonstrará a absoluta inexistência de vínculo entre Augusto Lima e as operações objeto da investigação”, afirmou a defesa.



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