Lídia Peres critica presidente do Iges-DF por tentar minimizar responsabilidade na morte de paciente em UPA


Lídia Peres – imagem reprodução @lidiaperesdf

Pré-candidata a deputada distrital pelo PSD questiona justificativa de que homem em cadeira de rodas estava na unidade apenas para “pernoitar” e cobra mais humanidade no atendimento público

A pré-candidata a deputada distrital Lídia Peres (PSD) criticou duramente a postura do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) após a morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, dentro da UPA do Recanto das Emas no último sábado (20). Em vídeo publicado nas redes sociais, ela questionou a versão apresentada pela presidente do instituto, que afirmou que o paciente não teria ido à unidade em busca de atendimento médico, mas sim para pernoitar, beber água e usar o banheiro.

Para Lídia Peres, a tentativa de classificar a presença de Vilmar na UPA como algo alheio à busca por cuidado médico representa uma forma de desresponsabilizar a instituição. “Quando um ser humano em situação de vulnerabilidade entra em uma unidade de saúde, permanece por horas no local e morre sentado em uma cadeira de rodas, o problema não é o motivo que o levou até lá. O problema é que ninguém percebeu que aquela pessoa precisava de ajuda”, afirmou.

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A pré-candidata destacou que a justificativa apresentada pelo Iges-DF não torna o caso menos grave, mas sim mais preocupante. Segundo ela, o fato de uma pessoa em situação de rua ou vulnerabilidade social permanecer por horas dentro de uma unidade de saúde sem que ninguém avalie seu estado de saúde revela falhas graves no acolhimento e na atenção básica oferecida nas UPAs do Distrito Federal. “Será que alguém vai a uma UPA para passear? Será que alguém em situação de rua escolhe passar horas dentro de uma unidade de saúde sem necessidade?”, questionou.

Lídia Peres também criticou o que considera uma naturalização da morte de pessoas em situação de vulnerabilidade. Para ela, o fato de Vilmar ter entrado vivo na unidade e saído morto, sem que houvesse registro adequado de sua condição ou intervenção médica, demonstra que o sistema de saúde pública do DF ainda trata determinadas vidas como invisíveis. “Estamos falando de uma vida. De uma pessoa que tinha nome: Vilmar Pereira da Silva, 49 anos. Independentemente de estar buscando atendimento, abrigo ou apenas um lugar seguro, ele entrou vivo naquela unidade e saiu morto”, declarou.

A crítica de Lídia Peres se soma a relatos de testemunhas que circularam nas redes sociais e em veículos de comunicação, segundo os quais pacientes presentes na UPA teriam alertado a equipe sobre o estado debilitado de Vilmar, sem que houvesse uma avaliação adequada. A pré-candidata defendeu que a governadora Celina Leão (PP) cumpra a promessa de realizar uma apuração rigorosa e transparente sobre o caso, incluindo a oitiva de testemunhas e a análise dos protocolos de acolhimento adotados pela unidade.

Além da cobrança por investigação, Lídia Peres destacou a necessidade de uma mudança mais ampla na forma como o sistema de saúde pública do Distrito Federal trata pessoas em situação de vulnerabilidade social. Para ela, é fundamental que as UPAs e demais unidades de urgência desenvolvam protocolos claros de identificação e atendimento prioritário para pacientes em condição de fragilidade, independentemente do motivo que os levou até o local. A parlamentar em pré-campanha defendeu que o acesso à saúde deve ser garantido de forma humanizada, sem que a condição social do paciente seja usada como justificativa para a ausência de cuidado.

O caso de Vilmar Pereira da Silva reacendeu o debate sobre as condições de funcionamento das UPAs no Distrito Federal, especialmente no que diz respeito ao acolhimento de pessoas em situação de rua. Frequentemente, essas unidades acabam funcionando como refúgio noturno para pessoas sem moradia, o que sobrecarrega as equipes e expõe fragilidades no sistema de triagem e atendimento. Lídia Peres argumentou que essa realidade não pode servir de pretexto para a omissão diante de sinais claros de que um paciente necessita de avaliação médica.

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