Justiça manda soltar influencer denunciado por 'golpe do pix' e suspeito de desviar R$ 146,5 milhões

A Justiça de São Paulo determinar a soltura do influenciador Gabriel Spalone, denunciado por suposta participação num “golpe do pix” que teria levado ao desvio de R$ 146 milhões. O empresário estava preso desde setembro passado, depois de ser incluído na “lista vermelha” da Interpol. Ele detido na Argentina, transferido para o Brasil e teve a preventiva decretada em novembro. A defesa do influenciador sempre negou as acusações e disse que o cliente é inocente e “idôneo”.
Na decisão, nesta quinta-feira, a juíza Amanda Eiko Sato determinou que Spalone tenha o passaporte retido; não se ausente do país; fique em casa durante as noites e as folgas do trabalho; e pague fiança de R$ 50 mil — na audiência, o empresário declarou rendimento mensal de entre R$ 35 mil e R$ 40 mil. Ele também deverá comparecer mensalmente ao juízo para informar suas atividades e manter o endereço atualizado.
Ao Estadão, a defesa do empresário disse que a revogação da prisão restabelece a legalidade e disse que a inocência de Spalone ficará comprovada, “já que nunca praticou nenhum crime dos que lhe foram imputados de forma abusiva”.
Na decisão, a juíza afirmou que a lei impõe três condições para a prisão cautelar (antes do trânsito em julgado de uma condenação): prova da materialidade (que o crime foi cometido); indícios suficientes de autoria; e um requisito ligado à tutela da ordem pública ou econômica ou à conveniência da instrução criminal ou à garantia da aplicação da lei penal.
A magistrada destacou que os dois primeiros pontos estão “evidenciados” nas provas juntadas ao processo, mas ressaltou que o acusado é primário e que o encarceramento provisório “não se mostra plausível”, apesar de descrever os crimes apurados como “de considerável gravidade e reprovabilidade”.
A prisão preventiva de Spalone foi decretada em novembro. A juíza afirmou não ser razoável manter a custódia cautelar, sobretudo porque os depoimentos orais, incluindo o interrogatório do acusado, já foram colhidos e por faltar apenas a juntada de um laudo pericial pedido pela acusação. Ela ponderou que, à época da ordem de prisão do acusado, havia indícios de risco de fuga.
“De toda forma, trata-se de voto de confiança conferido pelo Poder Judiciário, esperando que, com a oportunidade conferida de responder ao processo em liberdade, sejamcumpridas as cautelares impostas, com a manutenção da vinculação ao processo (comparecimento e endereço atualizado) e a distanciamento de práticas ilícitas, havendo neste ato advertência expressa e enérgica sobre os efeitos negativos em caso de reiteração criminosa”, escreveu a magistrada.
‘Golpe do pix’
Segundo o Ministério Público de São Paulo, Spalone e seus cúmplices utilizaram uma credencial válida de uma empresa prestadora de serviços do Itaú para realizar 607 transferências via Pix, em curto espaço de tempo, a partir de dez contas bancárias. No mês seguinte à prisão, o MP ofereceu denúncia contra o empresário e outros dois homens por furto e associação criminosa.
Spalone e a dupla são suspeitos de participar de um esquema que desviou R$ 146 milhões via pix. Segundo o MP, mediante fraude e abuso de credencial, o trio subtraiu o valor do banco Itaú, que conseguiu estornar pouco mais de R$ 107 milhões. Restou um prejuízo de quase R$ 40 milhões. Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva já tinham sido presos por suspeita de se beneficiar com cerca de R$ 75 milhões do desvio.
A acusação formal destaca que o golpe foi executado em fevereiro de 2025. Parte “significativa” dos valores, ainda de acordo com o MP, foi direcionada a empresas ligadas a um dos denunciados, que acessava diretamente as contas beneficiadas. Spalone, por sua vez, foi acusado de atuar como operador das transações ilícitas — ele atuava, inclusive, em conexões feitas durante viagens internacionais, segundo a denúncia. O terceiro homem recebeu quantias tanto em contas de sua pessoa física quanto de empresas das quais é titular.
As investigações apontaram que os três formaram associação criminosa estável, planejada para cometer delitos financeiros em larga escala. Segundo Michele Demico Camargo, promotora de justiça criminal na capital, as investigações demonstraram “a articulação, poder financeiro e a expertise do grupo criminoso”.
Spalone foi preso em setembro do ano passado no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, na Argentina, após desembarcar de um voo vindo do Panamá. A captura ocorreu dentro da aeronave e foi resultado da inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol. A prisão ocorreu apenas um dia depois de o influenciador ter sido detido e solto no Panamá.
Na sexta-feira anterior, Gabriel havia sido interceptado durante uma escala no Aeroporto Internacional do Panamá, mas acabou liberado em menos de 24 horas, já que naquele momento não havia ordem de prisão internacional e seu nome não constava na Interpol. “Era uma pessoa livre para viajar e não tinha qualquer ordem de prisão internacional ou inclusão na Interpol”, alegou sua defesa, na ocasião.



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