Vinte e três jovens de comunidades do Rio concluíram uma formação artística e profissional no projeto Crias da Comunidade, do Armazém da Utopia. O encerramento aconteceu no último sábado, com duas apresentações gratuitas do espetáculo “Aquele que diz sim e aquele que diz não”, adaptação de uma obra do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Para os participantes, a experiência representou a oportunidade de desenvolver habilidades e ampliar as perspectivas de atuação.
Aline Garrido, de 33 anos, encontrou no teatro uma forma de superar a sensação de invisibilidade que marcou sua infância. Ela cresceu na Baixada Fluminense e chegou a ser recrutada, quando pequena, como “aviãozinho” (pessoa que transporta pequenas quantidades de droga) do tráfico local. Foi numa igreja evangélica que ela teve seu primeiro contato com o teatro.
— Minha história não foi fácil, com muitas perdas e dor. Fui invisibilizada e desacreditada desde sempre. Mas o teatro mudou minha trajetória. A artista que sou hoje aprendeu a sobreviver com os muitos nãos da vida. Quando estou em cena, dou uma resposta para tudo isso que vivi — afirma Aline.
Reconexão
Já Nicholas Peixoto, que completou 22 anos no dia da apresentação, chegou às artes cênicas depois de interromper a trajetória como ginasta. Ele se aproximou do teatro e também se especializou em iluminação cênica e produção. No Crias da Comunidade, teve a oportunidade de retomar a atuação e ampliar sua experiência nos bastidores e no palco.
— O Crias da Comunidade surgiu realmente como uma oportunidade de voltar a estar no palco, a voltar a me reconectar com o meu eu ator, para além do meu eu produtor, para além do meu eu iluminador. Então, foi um presente muito grande para mim — diz ele que, depois de ser estagiário, foi contratado prelo Cia Ensaio Aberto há quatro meses.
Patrocínio
Com patrocínio master da Shell, a iniciativa teve duração de nove meses e ofereceu atividades de interpretação, corpo, voz, história do teatro e áreas técnicas, como figurino, cenografia, iluminação, sonorização e produção.
— Na Shell, acreditamos no poder das parcerias para transformar realidades e ampliar oportunidades por meio da cultura. Temos orgulho de caminhar ao lado do Armazém da Utopia, espaço que promove o encontro entre arte, território e formação, além de laboratórios e oficinas que fortalecem a produção cultural e beneficiam diferentes comunidades — afirma Glauco Paiva, diretor de Comunicação e Marca da Shell Brasil.
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