Anunciado na sexta-feira passada, dia 10, como novo técnico do Vasco, o português Pedro Emanuel concedeu entrevista coletiva no CT Moacyr Barbosa nesta segunda. Ele comentou do processo de negociação com o clube, a utilização de atletas de base e, principalmente, das expectativas sobre a recuperação do time no Brasileirão e as expectativas sob o seu trabalho.
— Sem dúvida que tinha um conhecimento grande daquilo que é o Campeonato Brasileiro, não só pela qualidade dos participantes, mas por ser uma das competições que mais admiro e que tem mais qualidade. E, naturalmente, os treinadores que passaram e que estão no campeonato, são uma boa referência. E é essa que pretendemos, enquanto comissão técnica, de encontrar aqui no Brasil. Aqui no Vasco, de fato, o desafio é grande, um clube gigante, mas é um clube gigante não só no Brasil. E eu tenho essa noção de Portugal, que a maioria dos portugueses com quem tratei e passei na última semana antes de vir. Por isso que o desafio é grande e o entusiasmo também é da nossa parte. Preparamo-nos bem para isso e eu em especial, sei que sou um desconhecido para grande parte de vocês, mas temos trabalho a fazer e queremos demonstrá-lo e dá-nos a conhecer o trabalho que vamos efetuar — afirmou o novo treinador do Vasco.
Ao falar da negociação com o Vasco, Emanuel revelou a emoção de seu pai com a notícia de que ele seria o novo treinado do clube carioca. Segundo ele, seu pai é torcedor do Vasco, e nunca havia lhe contado isso anteriormente.
— Na forma como se negocia na Europa, por exemplo, quando um clube vai contratar treinador, normalmente faz entrevistas com vários outros antes de definir um nome. No Vasco, trocamos impressões, tivemos uma entrevista, e naturalmente o clube faz depois as suas escolhas. Demora mais um dia, mais uma semana. Eu acho que isso não é importante, porque é um fato que gostei da abordagem, acima de tudo. Vou revelar para vocês aqui: meu pai é vascaíno e eu nem sabia, eu nunca me havia confidenciado nisso. E ficou orgulhoso desse momento, da notícia que eu lhe dei, até as lágrimas lhe vieram aos olhos, Portanto, eu percebi qual é o tamanho e a dimensão que tem o Vasco. Assinei um ano e meio é o acordo que temos, e isso revela bem a confiança que tudo tem, aquilo que podemos fazer em conjunto — disse ele.
Pedro Emanuel comentou também sobre o controle emocional do time e a necessidade de manter a resiliência nas partidas e adversidades. Segundo ele, este deve ser um de seus trabalhos como comandante da equipe.
— Se sofrermos gols nos últimos minutos, na bola parada, em transição, isso sempre tem que ser algo da minha intervenção. Para corrigir isso, para proteger a nossa equipe disso, para nos tornarmos mais fortes. Estamos no Vasco, gigante da colina, que tem uma torcida enorme e que é exigente. Adoro isso. E o jogador também tem que sentir que estamos juntos e isso faz parte do nosso processo, isso faz parte da intervenção que queremos ter. Vamos tornar a pressão um inferno novamente para quem vem nos enfrentar em casa. Vamos avançar no sentido dessa pressão e de sentir que, de fato, temos uma torcida que nos leva com ela à vitória. E é isso que quero transmitir sempre aos meus jogadores — afirmou.
Sobre competições, o português do Vasco definiu como “prioritário” o Campeonato Brasileiro, principalmente pela posição que o time se encontra na tabela (em 17º, com 20 pontos). Emanuel, porém, enfatizou que não deixará as demais competições longe de seu radar.
— A tabela de classificação nos diz muita coisa. Entendo que é prioritário para nós, como eu disse quando cheguei ao aeroporto, pôr o Vasco no lugar em que merece, isso é fundamental para nós. E olhamos para o Brasileirão de forma prioritária, porque estamos numa situação, não diria delicada, porque a distância para os que estão acima são poucos pontos, mas acredito que podemos fazê-lo melhor. Claro, vamos olhar para as outras competições com ambição, eu considero que isso é a história e a essência do Vasco, várias conquistas durante muitos anos. Isso tem de fazer parte da nossa essência, olhar para cada competição, olhar de uma forma específica. Sei que é um calendário apertado, sei que temos pouco tempo, mas isso é um desafio nosso. Quando entrei neste CT, senti a energia do clube, senti de fato aquilo que é a grandeza do clube e aquilo que encontrei aqui. É muito positivo para o trabalho que queremos desenvolver.
O novo técnico do Vasco aproveitou para falar sobre a desconfiança levantada sobre seu histórico em outras equipes e a expectativa de torcedores a cerca do trabalho. Emanuel pediu que acreditem no trabalho dele e da comissão técnica, enfatizando o conhecimento que tem sobre o tamanho do desafio em treinar o Vasco e a cobrança que existe no clube.
— Compreendo também que o ceticismo em relação à escolha do treinador, cheguei muito ao encontro disto, mas que isto é algo que temos, enquanto equipa técnica, que somos, vimos para organizar, vimos para sermos compactos, vimos para transmitir a confiança que os jogadores agora . O processo de treino, o processo de jogo, aquilo que podemos fazer em conjunto. Como disse, as expectativas são grandes por parte dos nossos torcedores. Eu lhes peço, neste momento, que acreditem. Acreditem, sim, no nosso trabalho, aquilo que vamos desenvolver, aquilo que vamos fazer. O objetivo é ter como imagem da nossa equipe aquilo que é a referência que os torcedores querem também junto deles para continuarem a ter esta paixão que têm. De fato, foi isso que me cativou a tomar esta decisão de ser chefe e líder desta equipe.
Por fim, o técnico comentou sobre o uso da base nos jogos. Ele se identificou, por ter sido jogador e ter vivenciado a experiência de aguardar oportunidades de treinadores, e levará isso em consideração para promover jovens promessas da equipe cruz-maltina:
— Isso é uma excelente pergunta porque eu adoro promover os jovens, mas não promover os jovens só para ficar publicitado com o promovem-lhe, não. Há um diálogo que também me atrai muito no que ele faz, que é a qualidade da sua formação. E isso para mim, enquanto treinador, é um desafio grande. O meu relacionamento com eles é somente olhar para eles, porque eu já fui um deles e também subi e comecei a minha formação no Boavista e precisei de alguém que me desse uma oportunidade. E é isso que eu estou aqui disposto a fazer com os nossos jovens. É eles sentirem e vou transmitir para eles que essa oportunidade pode surgir. A qualquer momento pode surgir e que ficaria muito satisfeito se vários encarassem essa oportunidade e fizessem com que aquilo que é a história de Vasco, em termos de formação, continuasse a ser de sucesso. Esse vai ser o meu desafio, o meu e da minha polícia, para transmitirem-nos isso diariamente, mas nunca esquecendo aquilo que é o rigor, o profissionalismo e a exigência que nós temos que ter com estes jovens que estão a crescer, que precisam de apoio, mas ao mesmo tempo precisam de saber para serem profissionais não é só ter qualidade, mas que hoje em dia o futebol já exige muito, muito mais.



