Israel anuncia a liberação dos militantes da flotilha para Gaza


Todos os membros da flotilha humanitária para Gaza interceptada na terça‑feira (19/5) pela marinha israelense foram expulsos de Israel, anunciou nessa quinta‑feira (21/5) o Ministério das Relações Exteriores do país. O tratamento dado aos militantes após a prisão gerou indignação.

Antes de serem levados à prisão, os militantes foram obrigados a se ajoelhar, enfileirados, com as mãos amarradas nas costas, na presença do ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben‑Gvir.

O comportamento do ministro de extrema direita, caminhando entre os militantes amarrados, foi denunciado por vários países, entre eles a França, que convocaram os embaixadores israelenses.

Trinta e sete cidadãos franceses foram expulsos para a Turquia, declarou nesta quinta‑feira Pascal Confavreux, porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores. Coreia do Sul, Espanha e Irlanda já haviam anunciado a libertação de seus cidadãos.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, havia declarado que o país planejava organizar voos especiais partindo de Israel para repatriar seus cidadãos e também alguns militantes de países terceiros que estavam detidos.

Países reagem

França, Itália, Países Baixos, Portugal, Espanha e Canadá anunciaram na quarta‑feira (20/5) a convocação dos embaixadores israelenses. Polônia e Reino Unido se juntaram à lista nesta quinta.

“Esse comportamento viola as normas mais básicas de respeito e dignidade humana”, declarou o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido em comunicado. “Estamos também profundamente preocupados com as condições de detenção descritas e exigimos explicações das autoridades israelenses”, acrescenta a nota.

Itália e Polônia exigiram desculpas de Israel, e a Polônia chegou a pedir que a entrada de Itamar Ben‑Gvir em seu território fosse proibida. O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, declarou que Itamar Ben‑Gvir “traiu a dignidade de sua nação”.

Itamar Ben‑Gvir também foi alvo de críticas da coalizão governista e do primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que descreveu o tratamento dado aos militantes como “não conforme aos valores e normas israelenses”.

O jornalista italiano Alessandro Mantovani, um dos militantes separados dos demais e repatriados mais cedo por avião, declarou ter sido espancado ao chegar ao centro de detenção israelense, que descreveu como um “lugar de terror”.

“Me bateram, me deram chutes nas pernas e socos no rosto. São pessoas que sabem o que fazem, então não tenho marcas visíveis importantes (…) Eles batiam em você e diziam ‘Bem‑vindo a Israel’”, contou ele aos jornalistas ao chegar ao aeroporto de Roma.

Soco no olho e chutes

Outro militante italiano, Dario Carotenuto, deputado do Movimento 5 Estrelas, afirmou ter recebido um soco no olho e chutes durante sua detenção. O Ministério das Relações Exteriores de Israel não respondeu imediatamente a pedidos de comentário sobre essas alegações.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou‑se nesta quinta‑feira “consternado” com o tratamento infligido por Itamar Ben‑Gvir aos membros da flotilha humanitária.

Um porta‑voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu que os responsáveis prestem contas.

Segundo os organizadores da flotilha, 430 militantes de 40 nacionalidades estavam presentes nos 50 navios da operação.

As embarcações da flotilha Global Sumud (“sumud” significa “perseverança” em árabe) haviam partido pela terceira vez na quinta‑feira passada do sul da Turquia, após tentativas anteriores fracassadas. O objetivo era fornecer ajuda aos habitantes de Gaza, que enfrentam uma grave crise humanitária.



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