Imigrantes bolivianos no Brasil vivem expectativa por vaga na Copa do Mundo: 'Um dos jogos mais importantes da minha vida'

Quando a bola rolar na madrugada de terça para quarta, à meia-noite, Bolívia e Iraque decidirão qual país estará na Copa do Mundo. Seja qual for o vencedor, a classificação para o Mundial será histórica. Participante de três edições, a seleção sul-americana não disputa a competição há 32 anos. Já os iraquianos estiveram em apenas uma Copa, em 1986. Para entender a importância do duelo e a grande expectativa, O Globo conversou com bolivianos que vivem no Brasil.
Nascido em Sucre, o profissional de marketing e criador do portal Bolivia Cultural, Antonio Andrade Vargas, mora no Brasil há 30 anos. Mesmo longe de casa, ele não esconde a ansiedade para a final da repescagem, partida que define como “um dos jogos de futebol mais importantes da minha vida”.
— O jogo, para nós bolivianos, é um fato histórico. Foi muito difícil chegar até aqui, não havia muita confiança e, mesmo assim, conseguimos. É uma partida que mexe com a nossa história, com a sociedade como um todo. Ver a Bolívia na Copa do Mundo é um sonho que agora pode se tornar realidade.
Vargas também destaca que a fase vivida pela seleção uniu ainda mais a comunidade boliviana em São Paulo. Segundo ele, o momento é de união, festa e esperança. Além disso, o marqueteiro lembra que o país passa por um momento político conturbado, com uma reestruturação econômica, e que o futebol acaba sendo uma “válvula de escape” para a população.
Se nas últimas Copas a Bolívia não participou, torcer pelo Brasil não foi problema para Antonio, que ressalta o acolhimento e o carinho que recebeu em solo brasileiro desde sua chegada.
— Em todas as Copas em que a Bolívia não participou, a minha torcida foi para o Brasil. Tenho um carinho enorme pela seleção brasileira e pelo país que me recebeu tão bem. Sempre encontrei famílias brasileiras e colegas que me deram muito apoio. O brasileiro é um povo muito solidário e amigável.
É no futebol brasileiro, inclusive, que atua uma das esperanças da seleção boliviana para o duelo contra o Iraque. O ponta Miguel Terceros, do Santos, tem papel fundamental no ataque e é destaque da equipe. Foi dele o gol da virada contra o Suriname, na semifinal da repescagem. Contra o Brasil, pelas Eliminatórias, o jovem também marcou o gol que selou a vitória da Bolívia.
— Como imigrante boliviano, tenho dois sentimentos: fico muito feliz por estarmos tão perto novamente de um Mundial após três décadas, mas também triste por não estar em minha casa para vivenciar de perto esse momento tão histórico do nosso futebol.
Quem diz isso é o comunicador e artista circense Henry José Limachi Quisbert, de 40 anos, morador do bairro Bom Retiro, em São Paulo. Declarado “amante do futebol”, ele afirma estar muito nervoso para a partida.
Vivendo no Brasil há 17 anos, ele não deixa de lado a paixão pelo seu país e, em seus trabalhos artísticos, costuma se apresentar com a camisa da seleção.
Henry com a camisa da seleção boliviana
Arquivo pessoal
O caminho da Bolívia até o duelo contra o Iraque
A seleção boliviana terminou em sétimo lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, com 20 pontos. Desses, 17 foram conquistados no estádio de El Alto, localizado a 4.150 metros acima do nível do mar. O palco das partidas foi definido em 2023, após a Bolívia perder as duas primeiras rodadas, contra Argentina e Equador, no estádio Hernando Siles, em La Paz. Na nova “casa”, os bolivianos ficaram invictos. A única vitória fora de casa foi contra o Chile, em Santiago, por 2 a 1.
Na última rodada das Eliminatórias, a Bolívia precisava vencer o Brasil e torcer por um tropeço da Venezuela, que jogava em casa contra a Colômbia, para garantir vaga na repescagem. Com gol de pênalti de Miguel Terceros, os bolivianos fizeram a sua parte. Em Maturín, os colombianos golearam os venezuelanos por 6 a 3.
Contra o Suriname, na semifinal da repescagem, a Bolívia saiu atrás no placar. Aos 72 minutos, Paniagua iniciou a reação. Sete minutos depois, Miguelito, novamente de pênalti, marcou e deu números finais à partida: 2 a 1.
Agora, contra o Iraque, uma vitória simples garante a vaga no Mundial. Em caso de empate, a partida vai para a prorrogação. Persistindo a igualdade, a decisão será nos pênaltis.
Copa do Mundo de 1994
A campanha da Bolívia rumo ao Mundial de 1994 foi histórica. Segunda colocada do Grupo B das Eliminatórias, a seleção ainda venceu o Brasil por 2 a 0, com gols de Marco Etcheverry e Álvaro Peña, e garantiu a classificação direta.
Bolívia e Brasil se enfrentando pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994
Cezar Loureiro – Agência O Globo
No entanto, na Copa do Mundo, os bolivianos não conseguiram avançar da fase de grupos. Foram duas derrotas — para Alemanha (1 a 0) e Espanha (3 a 1) — e um empate em 0 a 0 com a Coreia do Sul.



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