A Assembleia Legislativa de Goiás recebeu nesta quinta-feira, 12, reunião do Fórum Goiano de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável. O evento aconteceu no Auditório Francisco Gedda e contou com a presença da deputada Rosângela Rezende (Agir), além da gerente de Mudanças Climáticas da Secretária de Estado de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável (Semad), Natália Brito, do subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da Semad, José Bento Rocha, do servidor da Semad, Heitor Naves, e vários especialistas na área.
O subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da Semad, José Bento Rocha abriu o evento e defendeu a construção coletiva de soluções para enfrentar os desafios ambientais. Ao destacar a importância da integração entre diferentes segmentos, Bento ressaltou que a proteção ambiental envolve desde povos e comunidades tradicionais até o setor industrial. “A gente entende povos e comunidades tradicionais como uma barreira de proteção do meio ambiente onde eles vivem”, afirmou.
O subsecretário ponderou que o avanço tecnológico é inevitável e necessário. “Não é culpa da indústria em si. É o mercado, é a forma de vida. Todo mundo quer um carro, todo mundo quer um celular. A tecnologia às vezes nos ajuda, às vezes nos atrapalha um pouquinho, mas ela é necessária”, disse.
Segundo Bento, os Foruns de debate são fundamentais para alinhar entendimentos e construir uma linguagem comum entre os diferentes setores. “Às vezes a gente leva um ano para começar a falar a mesma língua. Pensamos nas mesmas coisas, mas usamos linguagens diferentes. O objetivo da Semad é promover essa convergência o que a gente quer pontuar hoje, como Semad e representando a secretária, é chamá-los para irmos juntos nessa discussão”.
O subsecretário também relembrou os desafios enfrentados pela pasta nos últimos anos, especialmente na área de mudanças climáticas e destacou que, em 2019, o cenário institucional ainda era limitado. “A gente não conseguia falar de mudanças climáticas primeiro porque a secretaria não estava preparada”, afirmou. Segundo ele, houve uma transformação cultural interna que permitiu avanços significativos.
Bento citou exemplos concretos dos impactos das mudanças climáticas no cotidiano da população, como a crise hídrica em Anápolis. “De 1998 para cá, a população mais que dobrou e a água diminuiu. É um desafio que a gente tem. Quando olhamos para fora da nossa janela, a gente consegue ver e sentir na pele os efeitos das mudanças climáticas”, declarou.
Bento enfatizou que os resultados só serão eficazes com esforço conjunto. “Nada que a Semad fizer sozinha vai ter resultados efetivos, às vezes a gente quer valorizar o conhecimento de um doutorado, de um pós-doutorado, mas não consegue entender o conhecimento da pessoa que tem a vivência. Como não vamos ouvir quem tem 70 anos de experiência nessa estrada?”, questionou.
Ao encerrar, o subsecretário reforçou que, embora não seja possível “parar o mundo”, é viável avançar em estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. “Esse é o nosso papel aqui”, concluiu.
A deputada Rosângela Rezende também fez uso da palavra e destacou, a importância do debate ambiental e os avanços promovidos pela Semad e trouxe uma reflexão necessária sobre a responsabilidade coletiva diante da crise ambiental. “Foi muito impactante. Bateu na nossa cara, nas nossas vidas, e nos fez repensar a forma como estamos vivendo e pisando neste planeta”, afirmou.
Dialogo
A deputada também mencionou sua participação nas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs), destacando o protagonismo da Semad nos eventos internacionais. “A Semad brilhou ao demonstrar a força do nosso Estado e do Brasil, mostrando como políticas públicas bem estruturadas podem impactar positivamente a vida das pessoas”, declarou.
Durante o discurso, a legisladora reforçou que a agenda ambiental precisa ser tratada como estratégia de desenvolvimento. Ela enfatizou a necessidade de valorização econômica da preservação: “A árvore em pé precisa valer mais do que a árvore derrubada. Se a preservação não gerar valor, o Cerrado não ficará em pé”.
A parlamentar defendeu ainda o avanço em instrumentos como o Sistema Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD+) que é um política que organiza ações para reduzir o desmatamento e degradação florestal, conservar florestas e gerar benefícios a quem protege o meio ambiente e usa de enfretamento das mudanças climáticas. e o fortalecimento de mecanismos de pagamento por serviços ambientais (PSA).
Segundo Rosângela, o Estado já iniciou os pagamentos do programa, considerado um passo importante na consolidação de políticas públicas sustentáveis.Outro ponto destacado foi a integração entre Semad e Saneago na gestão dos recursos hídricos. “Estamos falando do nosso bem maior: a água, que é direito fundamental, é vida”, afirmou.
Ao encerrar, a deputada reconheceu o trabalho da equipe técnica da secretaria e reforçou o apoio do Legislativo às pautas ambientais. “Não desanimem. O tema é árduo, mas precisamos avançar. Esta é a casa do povo e está aberta às pautas da água, da terra e dos resíduos sólidos”, concluiu.
Durante a manhã também foi realizada a apresentação do Relatório Anual de 2025, resultado das atividades desenvolvidas no âmbito do Fórum, Cerimônia de Entrega de Certificados de Posse aos novos membros e coordenadores, além da entrega do Certificado de Engajamento (premiação pela participação).
Posteriormente, foram realizadas a eleição de coordenadores, a apresentação do Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial, com destaque para as metas vinculadas ao fórum, a apresentação da Estratégia Carbono Neutro, incluindo a formação de Grupo de Trabalho (GT) intersecretarial, e a apresentação do Plano de Trabalho 2026.
No período da tarde, o evento contará a realização da consulta pública do projeto de lei que institui o Sistema Estadual de REDD+.



