“A gente precisa da sinergia com o torcedor e elevar a confiança dos jogadores”, disse o interino Marcão em entrevista à FluTV. O discurso é de quem sabe muito bem o que se espera dele a partir de hoje, contra o Palmeiras, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Em meio à sequência de sete jogos sem vitória após a Copa do Mundo, que levou à demissão do técnico Luis Zubeldía e incendiou a crise no Fluminense, o “bombeiro” foi acionado justamente para arejar o ambiente e recuperar o bom futebol.
Às vésperas de uma decisão contra o Independiente Rivadavia na Libertadores, o tricolor encara um adversário que, apesar de liderar e ser o melhor visitante do Brasileirão, não está imune à pressão por desempenho e resultados positivos. O alviverde também empatou em casa no jogo de ida do mata-mata e precisará passar pelo Cerro Porteño no Paraguai.
Enquanto a diretoria do Fluminense adiava o fim da passagem de Zubeldía, a relação entre time e torcida desandou. Antes mesmo de a bola rolar, o clima de insatisfação já se fazia presente, com vaias e xingamentos no anúncio da escalação. O principal alvo, claro, era o treinador. A presença de Marcão à beira do campo está longe de ser novidade para os tricolores, e o ex-volante surge como uma aposta para que o ambiente nas arquibancadas fique menos pesado e, assim, as críticas deem lugar aos aplausos.
O lado emocional é visto internamente como um dos principais fatores para a equipe conseguir virar a chave na temporada. Isso porque a falta de confiança ficou nítida nos últimos jogos sob o comando de Zubeldía, o que também pesou na escolha pela demissão do comandante argentino.
Na última vez em que assumiu interinamente, na vitória por 1 a 0 sobre o Once Caldas-COL, fora de casa, em abril de 2025, Marcão fez o feijão com arroz: manteve a base do time titular após a saída de Mano Menezes. Desta vez, não deve ser diferente, com o porém da decisão pela Libertadores, já nesta terça-feira.
Após comandar apenas dois treinos, o auxiliar permanente pretende manter o padrão tático da equipe, com mudanças a depender da condição física dos jogadores. Dois desfalques são certos: o zagueiro Ignácio, suspenso após levar o terceiro cartão amarelo, e o lateral Guilherme Arana, preso ao protocolo de concussão.
A defesa também está sujeita a outras mudanças. Amigo de longa data de Marcão, Thiago Silva pode ser poupado hoje, de olho na Libertadores. Se isso acontecer, Jemmes e Igor Rabello são os mais cotados para formar a dupla de zaga. Já Millán e Freytes avançaram na recuperação de suas lesões e têm chances de retornar no torneio continental.
Com Martinelli, Hércules e Ganso mais à frente, o trio ofensivo deve ser formado por Soteldo, Hulk e Canobbio. Apesar da má fase da equipe, o venezuelano apresentou evolução de rendimento e ganhou a disputa com Savarino, em baixa, assim como Lucho Acosta. Já quem deve ficar fora da relação é o jovem atacante Riquelme, que teve poucas chances com Zubeldía.
O Moleque de Xerém virou notícia após reagir com um emoji de agradecimento a uma publicação do Fluminense sobre a demissão do treinador. Segundo o Uol, a atitude foi mal recebida internamente, principalmente entre os companheiros de vestiário, mas a ausência não seria um castigo.
O confronto também marca o reencontro da torcida tricolor com Jhon Arias, ídolo que o clube tentou repatriar e foi parar no Palmeiras. A movimentação despertou a ira dos torcedores, já que, antes de realizar o sonho de jogar na Europa, o colombiano havia prometido, em sua entrevista de despedida, que, se voltasse ao Brasil, seria para defender o Flu.
A promessa não foi cumprida, e Arias virou vilão. Os tricolores se dividem. Boa parte deles promete realizar protestos nas arquibancadas e fora do Maracanã. Se antes era chamado carinhosamente de Pelé colombiano, agora o jogador leva o apelido de Judas.
No início deste ano, o Palmeiras ganhou a concorrência de Fluminense e Flamengo ao oferecer 25 milhões de euros (cerca de R$ 150 milhões na cotação atual) aos ingleses do Wolverhampton, além de um salário gordo a Arias. O tempo dirá se as cifras valem o sacrifício de uma idolatria.




