Flávio leva Nossa Senhora de crochê a podcast católico e defende ampliação de isenção a Igrejas

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) levou nesta segunda-feira uma boneca de Nossa Senhora Aparecida feita de crochê para um podcast católico e aproveitou a entrevista para defender a ampliação de isenção de tributos a igrejas e templos religiosos após o episódio que o associou falsamente a uma suposta tentativa de tirar o título da santa de padroeira do Brasil. No SantoFlow, o senador também comparou o episódio que o à facada sofrida por Jair Bolsonaro em 2018.
Para o senador, a ampliação de um benefício que hoje já existe se justifica pelo trabalho social realizado por organizações religiosas na recuperação de dependentes químicos, na assistência a pessoas em situação de rua e dentro de presídios.
— Quantas igrejas você não conhece que faz o trabalho de tirar cracudo das ruas, tirar as pessoas das drogas… pessoas que tão sem lar, sem profissão. E eu vou ser um presidente que sempre apoia isso (…) Tem que isentar porque o trabalho social que as igrejas fazem é impagável — afirmou.
O senador também disse que, caso seja eleito, pretende facilitar a atuação das igrejas nesses campos.
— Eu, como presidente da República, vou ter oportunidade de acabar com muitas das dificuldades que existem das próprias igrejas de atuarem não só dentro de presídios, mas também na assistência social. Eu vou ser um presidente que sempre apoia isso — disse.
As falas do presidenciável, e também sua aparição em um podcast ligado ao público católico, ocorre poucos dias depois que sua campanha passou a ser atingida por postagens que indicavam que o candidato apoiava um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, o que Flávio nega.
Ele afirma que ficou sabendo do episódio enquanto jogava futebol em Minas Gerais, durante uma agenda de campanha com o deputado Nikolas Ferreira (PL). Segundo ele, a partida havia terminado e ele estava entrando no vestiário para tomar banho antes de seguir viagem quando recebeu a notícia de que circulava nas redes sociais a informação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
— Eu recebi sem saber de onde veio, então fiquei indignado. Eu tava jogando bola em Minas Gerais, tava tudo ótimo. E aí tô entrando no vestiário para tomar um banho e vejo a notícia, essa fake news. Eu falei, como é que é? Como isso ganhou corpo? — relatou.
Flávio comparou o episódio com o atentado sofrido pelo pai durante a campanha de 2018, também em Minas Gerais. Na entrevista, disse não se surpreender com o uso do que classificou como esse tipo de arma pelo PT e afirmou ter feito uma associação entre os dois episódios.
— Acho que foi uma eu posso considerar uma espécie de facada também essa fake news em mim — disse.
Em seguida, em tom de brincadeira, afirmou que “Minas Gerais tem alguma relação com a famílai Bolsonaro”, uma vez que ambos os episódios, embora diferentes entre si, guardem relação com o estado.
— Minas acho que tem alguma relação com a família Bolsonaro. Uma relação boa positiva porque é de superação porque é de Vitória porque é de renascimento — afirmou.
Segundo Flávio, sua equipe passou a investigar a origem das publicações e identificou o que chamou de uma “grande teia de perfis” ligados à esquerda, dentro e fora do Brasil. O senador afirmou que pretende apresentar uma ação judicial sobre o caso e disse haver indícios de participação de pessoas que trabalham no governo e de uso de dinheiro público na disseminação do conteúdo.
“Eu vou guardar com o maior carinho”
Ao responder à acusação, Flávio também procurou apresentar sua relação com outras religiões. Evangélico, ele afirmou não ter problema com pessoas de outras crenças e disse que, caso seja eleito, não pretende interferir na maneira como cada religião organiza sua vida interna.
— Eu não tenho absolutamente nada com relação com gente que tem uma religião diferente da minha — afirmou. — Cada um tem que se conectar com Deus da forma que achar melhor. O Estado não tem que se meter. Eu não vou me meter se o padre fala isso ou aquilo no culto. Eu não vou me meter se o padre tem que ter o celibato para exercer esse chamado de Deus que ele teve. Quem é o presidente para se meter na religião? — disse.
Foi nesse contexto que o senador mostrou a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida feita de crochê que havia acabado de receber durante o podcast.
— Acabei de receber aqui uma bonequinha de crochê que é Nossa Senhora Aparecida. Eu vou guardar com o maior carinho — afirmou.
Ele também citou a chamada Lei do Santo Rosário e disse que a legislação garante o culto a Nossa Senhora. Ao falar sobre a própria relação com o catolicismo, mencionou ainda Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente em sua chapa, a quem classificou como um católico “fervoroso”.
A entrevista também serviu para Flávio reforçar outras propostas que pretende levar para um eventual governo. Ao falar sobre os condenados pelos atos de 8 de Janeiro, o senador voltou a defender a anistia e disse que, caso ela não seja aprovada durante a transição, pretende conceder indulto.
— Na transição ainda quero ter aprovado a anistia e, se não der, eu quero dar indulto — afirmou.
O senador voltou a defender mudanças no Judiciário, incluindo o fim das decisões monocráticas de ministros do STF que possam suspender leis aprovadas pelo Congresso e alterações no foro por prerrogativa de função.



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