Estados Unidos vão anunciar novas tarifas para 60 países nos próximos dias

Os Estados Unidos anunciarão novas tarifas para aproximadamente 60 países, incluindo o Brasil, nos próximos dias, afirmou o representante comercial americano, Jamieson Greer, em entrevista à CNBC nesta terça-feira (dia 21).
Seu gabinete, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), abriu em março investigações sobre certas práticas comerciais, particularmente relacionadas ao trabalho forçado, e os resultados são esperados para esta semana.
Essas tarifas, que podem afetar os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, têm o objetivo de substituir as tarifas temporárias de 10% impostas pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte ter derrubado as sobretaxas no ano passado.
— Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato — disse Greer à CNBC, acrescentando: — Esperamos ver algumas ações em breve.
No final de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou uma parte significativa das tarifas impostas pelo presidente americano, alegando que ele havia feito uma leitura anticonstitucional de um texto legal para justificá-las.
A decisão não afetou as tarifas setoriais, que visam os setores automotivo, siderúrgico, de alumínio e de cobre. Trump anunciou então novas tarifas, baseadas em uma disposição legal diferente que o autorizava a aplicar essas sobretaxas por um período máximo de 150 dias.
Ao mesmo tempo, o USTR iniciou uma série de investigações que, em teoria, permitem a implementação permanente dessas tarifas. Elas se baseiam na mesma lei que justifica as tarifas setoriais.
Países
Sendo assim, no início de junho, Jamieson Greer propôs, ao término dessas investigações, tarifas de 12,5% sobre cerca de 45 países que, segundo o USTR, não impõem proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
No caso do Brasil, os EUA avaliam impor essa sobretaxa de 12,5%, sob acusação de que o país tem comprado bens produzidos por outros países com trabalho forçado, após o novo tarifaço de 25%. O governo brasileiro respondeu em junho apresentando leis contra trabalho escravo, ações de fiscalização adotadas no país e o fato de ser signatário de acordos internacionais para coibir a prática.
Para as economias que possuem tais proibições, mas cujos esforços de fiscalização são considerados insuficientes por Washington – Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão – o governo Trump propõe impor uma tarifa reduzida de 10%.
O mesmo se aplica ao Reino Unido, cuja proibição é considerada parcial. O governo dos EUA anunciou outras tarifas nos últimos dias. Na quinta-feira, o Brasil foi sancionado com uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos.
Washington critica Brasília por políticas que, segundo afirma, afetaram particularmente o comércio americano ao “reduzir o acesso a um de seus principais mercados de exportação”, afirmou Greer na ocasião.
Segundo Greer, é uma “resposta às medidas de represália” tomadas por Ottawa após as primeiras tarifas impostas por Washington em 2025.
— Há um ano pedimos ao Canadá que as retire, que as modifique, que as ajuste — explicou.
Na segunda-feira, o Canadá foi submetido a uma sobretaxa adicional de 50%, que entrará em vigor em um mês, “em resposta ao tratamento discriminatório em relação aos produtos americanos”



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