Está ruim, mas é seguro…

“…quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura!…” (Êxodo 16.1-36)
“Está ruim, mas, ao menos, tenho sabido como lidar com isso há trinta anos”, disse-me, certa vez, uma cliente sobre seu relacionamento.
Ela representa a realidade de muitos casamentos, que percebe que a convivência perdeu a leveza, que o diálogo foi substituído pelo silêncio, que o carinho deu lugar à indiferença e que a esperança foi consumida pela rotina. Mas, mesmo assim, escolhem o sofrimento conhecido à possibilidade de uma mudança.
O povo hebreu conhecia bem esse conflito. A vida de escravidão lhes impunha limitações e desesperança quanto ao futuro. Ainda assim, quando Deus, por meio de Moisés, lhes propôs uma nova história; diante do novo, reclamaram a segurança da escravidão.
Como pastor e psicólogo, testemunho o distanciamento entre marido e mulher, a ausência de diálogo, os conflitos nunca resolvidos e as feridas acumuladas que provocam: solidão, sofrimento, e, até mesmo o término do relacionamento. Entretanto, não raro, vejo o casal permanecer aprisionado ao previsível, controlável e conhecido, pois receiam viverem os naturais riscos da reconstrução.
A vida feliz e amorosa a dois se alimenta da aventura, novidades, riscos, que não permite garantias e respostas infalíveis.
Fé e Psicologia, ambas oferecem caminhos de autoanálise e busca de respostas saudáveis que nos direcionam à liberdade e integridade conosco mesmos.
Os desafios, dores, sofrimentos e crises fazem parte da caminhada e contribuem para o aprendizado e amadurecimento, pois como todo deserto, a vida também nos propõe ambientes de altas e baixas temperaturas, diante do que o relacionamento poderá reagir com coragem, fé, esperança, otimismo e tenacidade.
Então, lhe desejo uma boa travessia!



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