Em jogo perfeito, Espanha aproveita erros e se firma como algoz da França para chegar à final da Copa do Mundo


A vitória da Espanha por 2 a 0 contra a França na semifinal da Copa do Mundo de 2026 foi uma verdadeira aula de futebol. Os espanhóis impuseram seu estilo de jogo do primeiro ao último minuto. Como “antídoto” para o imprevisível e habilidoso modelo francês, o time de Luis de la Fuente controlou o ritmo que quis dar à partida e apresentou ótima leitura dos espaços em campo para, com a bola, sair da pressão adversária com enorme tranquilidade e, sem ela, neutralizar as investidas de Dembélé, Olise e principalmente Mbappé, que nada fizeram. De quebra, Oyarzabal e Pedro Porro, autores dos gols da classificação, ainda contaram com os deslizes franceses para levar a Furia à uma final de Mundial pela segunda vez na história do país.

Para se ter ideia, a poderosa França, sempre vangloriada pelo leque de opções ofensivas de enorme qualidade, só foi dar a primeira finalização no gol de Unai Simón nos acréscimos da segunda etapa. Um retrato dessa Espanha que, como previu Lamine Yamal, repetiu a dose da Eurocopa de 2024 e da Liga das Nações de 2025 ao eliminar os franceses na semifinal de um grande torneio.

O craque espanhol, por sinal, não chegou a ter tanto brilho, mas foi decisivo ao abrir os caminhos da vitória ao sofrer pênalti infantil cometido por Digné. Ponto fraco da (por pouco tempo) atual vice-campeã mundial, o lateral-esquerdo dormiu tanto nesse lance, aproveitado por Oyarzabal para marcar pela quinta vez no torneio, quanto no gol de Pedro Porro.

Nesse último, porém, o destaque negativo ficou com Upamecano. Ao abandonar a marcação em cima de Dani Olmo, o zagueiro do Bayern de Munique, que fazia Mundial impecável, colocou tudo a perder ao ver o franzino e inteligentíssimo camisa 10 fazer o pivô para Porro.

Se o argumento para colocar a França como a principal favorito ao título era a quantidade de jogadores capazes de decidir uma partida individualmente, a Fúria chegou à final com um jogo coletivo letal. Fabián Ruiz, que ganhou a vaga de Pedri, dominou o meio-campo. Cucurella, recém-contratado pelo Real Madrid, dominou o lado preferido do ataque francês, pelas investidas de Kounde, Dembélé e Olise. Uma atuação que pode colocar um ponto final na principal cara dessa equipe. Não é Rodri, dominante junto de Ruiz, ou Yamal, decisivo no pênalti sofrido. Essa Espanha é de Luis de la Fuente, o responsável por transformar a chamada “melhor seleção do mundo” em uma freguesa espanhola.

Histórias de uma decisão

A Espanha agora aguarda a definição do outro finalista, que sairá do confronto entre Argentina e Inglaterra. Evidentemente, há a possibilidade da decisão da Copa do Mundo ser uma reedição da vencida pelos espanhóis na Eurocopa de 2024, em um 2 a 1 emocionante contra os ingleses.

Por outro lado, há também, entre outros enredos, a chance da partida do próximo domingo marcar o reencontro de Lionel Messi com o país que praticamente o formou para o futebol naquela que seria a última partida de Copa do Mundo do maior jogador do século. Histórias não faltarão para esta decisão.



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