Efeitos do caso Master: prisão de Vorcaro, bloqueio de R$ 22 bilhões, afastamento de servidores do BC e tornozeleira

A terceira fase da Operação Compliance Zero envolveu uma série de medidas, além da prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Nesta quarta-feira (dia 4), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de outros investigados e o afastamento de servidores do Banco Central (BC) por suspeita de envolvimento nas fraudes da instituição financeira. De acordo com a Polícia Federal, R$ 22 bilhões em bens foram bloqueados para reparar os eventuais danos.
Bloqueio de bens
De acordo com a Polícia Federal, houve sequestro e bloqueio de bens em valores que somam R$ 22 bilhões, “com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e de preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”.
Prisões
Além de Vorcaro, foram presos o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro; Luiz Phillipi Mourão, suspeito de atuar para coagir e intimidar adversários de Vorcaro; e o policial federal aposentado Marilson Roseno, que também, segundo a PF, faz parte do grupo “A Turma”, que intimidava adversários.
Tornozeleira eletrônica
A decisão de Mendonça determina que os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana passem a usar tornozeleira eletrônica.
Afastamento do cargo
O despacho também estipula que os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana sejam afastados das funções na autarquia e proibidos de frequentar o BC. Eles já haviam sido afastados das funções por decisão administrativa do BC e respondem a uma sindicância.
Entenda o caso
As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou nesta quarta-feira a terceira fase da Operação Compliance Zero e levou novamente à prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de outros investigados. A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, com suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo investigadores, o esquema teria utilizado estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou de baixa liquidez, além de operações que teriam servido para ocultar prejuízos e desviar recursos. A decisão também cita suspeitas de interlocução com servidores públicos e tentativas de interferir nas investigações.
A operação, chamada de Compliance Zero, já teve três fases. A primeira, deflagrada em novembro de 2025, investigou a suspeita de venda de carteiras de crédito sem lastro a outras instituições financeiras. A segunda, em janeiro deste ano, ampliou o foco para o uso de fundos de investimento ligados à gestora Reag para a circulação de recursos e aquisição de ativos considerados problemáticos. Já a terceira fase, autorizada agora pelo STF, inclui novas prisões e medidas cautelares contra investigados ligados ao caso.
A posição de Vorcaro
Os advogados do dono do Banco Master afirmaram que ele “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
Segundo os advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Roberto Podval, Vorcaro colaborou com as investigações do caso Master “de forma transparente desde o início”. “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, registraram em nota.



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