'Dieta bíblica' ganha força entre defensores da alimentação saudável

Quem olha as postagens de Kayla Bundy, de 27 anos, percebe de cara que ela é adepta da alimentação saudável. Mas, na verdade, é mais do que isso. A criadora de conteúdo cristão segue a trend da “dieta bíblica”, que consiste basicamente em só consumir alimentos mencionados na Bíblia.
Há oito anos Kayla faz parte de uma fervorosa comunidade on-line que busca conectar valores religiosos às necessidades alimentares. Ela compra leite cru, come sardinhas como petisco, consome pão de fermentação natural autêntico — nada de fermentos comerciais por aqui — e geralmente cozinha com ingredientes de origem local. Suas escolhas e, obviamente, as suas consequências, são exploradas em vídeos no TikTok para mais de 500 mil seguidores.
“Eu nunca tinha pensado em procurar receitas na Bíblia”, disse ao “New York Times” Bundy, que cresceu em Michigan (EUA) e agora mora em Bali (Indonésia), mas depois que cortar o açúcar refinado a fez se sentir bem, ela começou a “estudar as escrituras sob a perspectiva de observar o que as pessoas comem”.
‘Refeição bíblica’ preparada por Kayla Bundy
Reprodução/Instagram
‘Refeição bíblica’ preparada por Kayla Bundy
Reprodução/Instagram
‘Refeição bíblica’ preparada por Kayla Bundy
Reprodução/Instagram
“O pecado entrou no mundo através da comida, e Satanás não para por aí. Para mim, a comida é como uma arma que uso para revidar”, acrescentou a cristã, que gosta de começar o dia com uma xícara de caldo de ossos.
Os coloridos pratos de Kayla misturam iogurte grego com limão, humus de beterraba, cebola roxa, cogumelos, brotos orgânicos, tomate, lentilhas, ovo, batata doce, pimentão, bife de gado alimentado a pasto, entre outros alimentos.
“Sem protocolos. Sem peptídeos. Sem desejos incontroláveis ​​e sem restrições. Apenas comendo como Deus planejou”, postou a influencer no Instagram.
A “dieta bíblica” pode oferecer uma reformulação atraente de certos princípios alimentares antigos, argumentam os seus defensores, que engrossam uma crescente parcela da população, sob o selo MAHA (inglês para Faça a América Saudável Novamente) que pressiona por maior acesso a laticínios não pasteurizados, limites mais rígidos para alimentos ultraprocessados ​​e novas definições para o que é considerado alimento “saudável”.
Bundy admite não ter formação em Nutrição, mas, na meca do capitalismo, vende um guia digital de superalimentos bíblicos por US$ 28 (R$ 137), além de sessões de coaching que começam em torno de US$ 700 (R$ 3.425) por mês.
Ela não é a única. Outras adeptas da “dieta bíblica” que viraram influencers estão faturando em redes sociais.
Annalies Xaviera, de 32 anos, dona de casa que mora em Gainesville (Geórgia, EUA) e publica dicas de “alimentação bíblica”, disse que seus seguidores no Facebook saltaram de poucos milhares para mais de 300 mil em apenas algumas semanas neste ano. Ela vende um livro de receitas digital, criando uma espécie de “novo testamento” culinário.
Annalies Xaviera é adepta da ‘dieta bíblica’
Reprodução/Facebook
“A Bíblia diz que Deus aprecia e celebra pequenos passos de obediência”, disse Annalies, que prefere não ser considerada uma integrante do movimento MAHA.
O “velho testamento” da “dieta bíblica” foi escrito no início dos anos 2000. Em 2004, “A Dieta do Criador”, de Jordan Rubin, de 2004, foi um best-seller. Quatro anos depois foi a vez de “A Dieta do Éden” fazer sucesso, oferecendo dicas de perda de peso e nutrição baseadas em ensinamentos bíblicos.
Além desses guias, cristãos já participavam de “jejum de Daniel” — processo de provação de 21 dias baseados no Livro de Daniel, no Antigo Testamento, em que o profeta consome apenas vegetais e água. O ator Chris Pratt já declarou ter passado pelo jejum bíblico.
Nas redes sociais, no entanto, a alimentação bíblica parece ter ressurgido nos últimos meses.
Abbie Stasior pergunta: ‘Cristãos deveriam comer alimento ultraprocessado?’
Reprodução/Instagram
Abbie Stasior, de 31 anos, uma nutricionista cristã que mora em Nashville (EUA), contou que costuma começar conversando com os seus clientes sobre a importância do café da manhã. Mas, em seguida, ela cita versículos bíblicos, apontando, por exemplo, para uma cena no Evangelho de João em que Jesus toma um café da manhã equilibrado com pão e peixe com seus discípulos.
“Ele consome carboidratos e proteínas”, disse ela, acrescentando que vincular a orientação nutricional às escrituras oferece “um incentivo extra”.



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