Para os brasileiros pode parecer estranho celebrar a vida de alguém que já partiu, mas é isso que acontece todos os anos no Dia dos Mortos, no México, festividade tradicional que arrasta uma multidão de pessoas entre 1º e 2 de novembro. Altares coloridos, fotografias, velas, flores, alimentos e objetos pessoais compõem as tradicionais oferendas e fazem parte da cultura mexicana, que entende que a morte é a continuação natural da vida.
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Uma pequena amostra dessa cultura atravessou a América Latina e desembarcou nos jardins do Museu da República, no Catete, Zona Sul do Rio neste final de semana. No sábado, domingo e segunda, música, gastronomia e outras expressões populares tomam o espaço para a 4ª edição do “Dia de los Muertos”, promovida pelo Consulado Geral do México no Rio de Janeiro.
Direto de Bangu, na Zona Oeste, Vera Alves foi a caráter, com uma guirlanda de rosa na cabeça, com mais três amigas, que também estavam com adereços para entrar no clima da festividade.
— Eu sempre procurei honrar muito a ancestralidade, então tenho a minha forma de celebrar o Dia de Finados. Eu dificilmente volto ao cemitério depois de enterrar um parente. Mas eu sempre faço um pequeno ritual no meu jardim com flores, colocando a fruta que meus parentes gostavam. A forma de celebração do Dia dos Mortos mexicana combina muito comigo. Enquanto os brasileiros ficam chorando, nós preferimos celebrar e reverenciar quem partiu.
Além de 90 expositores, entre gastronomia, moda e artesanato, o público que passa pelo Museu da República ainda assiste a apresentações, cortejos, atividades para crianças, maquiagem de caveira e luta livre mexicana. As amigas Marvick e Natália Goulart também passaram pelo evento e posaram em frente a um grande altar de homenagem às pessoas que partiram.
— Eu sou suspeita para falar porque eu amo México. Eu gosto principalmente das comidinhas, da cultura e da música. Esse ano está diferente porque o evento foi expandido (antes, o evento se concentrava apenas próximo à rua do Catete, mas agora foi aumentado até a praia do Flamengo). Eu venho todo ano — pontuou a professora Marvick Vieira, de 52 anos, que foi acompanhada da também educadora e artista Natália Goulart, de 40.
— Eu acho incrível essa ressignificação que eles têm do Dia dos Mortos. Transformam a data em alegria e comemoração. Isso me chama muita atenção. Eu acho tudo lindo, desde a caracterização, até essa interculturalidade — opina Natália.
Produtora do evento Vanessa Araújo vestida de Catrina
Ana Branco / Agência O Globo
Figuras místicas marcam presença em evento
Quem passa pelo evento pode, a qualquer momento, se esbarrar com a La Catrina, símbolo mais famoso do Dia dos Mortos no México, representada como um esqueleto de uma dama elegante usando um chapéu florido. A social midia Vanessa Araújo, 39 anos, encarnou a personagem com roupas e maquiagem características e chamou a atenção de pessoas que passavam pelos jardins do Museu da República.
— É uma cultura tão bonita, tão rica… Eu me sinto muito feliz de representar a Catrina, figura tão importante para eles. As pessoas chegam aqui, me veem de Catrina e pensam: “Tô no evento, cheguei no México”. É engraçado — conta.
Também vestida a caráter, com uma maquiagem especial, a estudante Ana Luiza Fernandes, de 16 anos, fez uma apresentação de dança teatral com seu grupo de escola, o CIEP 370 Brasil-México, da região da Vila Maria Helena, em Duque de Caxias. A instituição é uma das três unidades de ensino que fazem parte do projeto Escolas Interculturais Brasil-México, apoiado pelo consulado mexicano, misturando a cultura dos dois países.
— Foi uma apresentação que desenvolveu muito das duas culturas. Além da cultura mexicana, teve capoeira e o funk. Representar o Brasil e o México foi muito importante para a preservação da cultura para as pessoas, primeiro para conscientizar e reduzir o preconceito. Acho que, se tivesse mais eventos como esse, o Brasil seria um lugar muito mais bonito e colorido — afirma a estudante.
Erik Pimentel, vice-cônsul, responsável por assuntos culturais e educativos, está há oito anos no nosso país e observou uma evolução no interesse dos brasileiros pela cultura mexicana. Para a quarta edição do evento, o consulado precisou de um espaço maior para comportar tanta gente. Segundo ele, 90 mil pessoas passaram pela edição do ano passado, marca que pode ser ultrapassada nos três dias de evento este ano.
— A gente fica muito feliz com esse sucesso porque é uma festividade muito alegre, com muita vida. Cada vez mais as pessoas entendem nossa cultura desse período. As pessoas pensavam que a gente comemorava a morte, e é ao contrário. A gente festeja a vida. É muito bom que um evento como o nosso, realizado numa região central da cidade, qualquer pessoa possa chegar e tenha atividades gratuitas a toda hora, para celebrar e conhecer uma das tradições mais importantes e milenares do México — avalia Ertik.
Confira a programação do Dia dos Muertos 2026:
Domingo, 1º de novembro
10h — Teatro infantil: A Bruxinha que Era Boa, de Maria Clara Machado, com Sintonia Dominó, no Espaço Chafariz.
11h — Apresentação do DJ Rayado, no Espaço Chafariz.
12h — Teatro infantil: Um Divertido Dia de Muertos, com Sintonia Dominó, no Palco Flamengo.
13h — Luta livre mexicana: apresentação e oficina com RJPW, no Espaço Chafariz.
14h — Show de mariachis: com Trio Macarena e participação de Tequilero El Trapo, no Palco Flamengo.
15h — Teatro infantil: Viva Chespirito, com Sintonia Dominó, no Espaço Chafariz.
16h30 — Show com o GRES Império Serrano, no Palco Flamengo.
Segunda-feira, 2 de novembro
10h — Apresentação do Bloco Besame Mucho, no Palco Flamengo
12h — Luta livre mexicana: apresentação e oficina com RJPW, no Espaço Chafariz
13h — Teatro infantil: Um Divertido Dia de Muertos, com Sintonia Dominó, no Palco Flamengo
14h — Palestra cantada: com o escritor Marcos Salles, autor do livro O Sambista Perfeito: Arlindo Cruz, na Sala de Educação
14h — Teatro infantil: A Bruxinha que Era Boa, de Maria Clara Machado, com Sintonia Dominó, no Espaço Chafariz
15h — Show de mariachis, com Mariachis RJ, no Palco Flamengo
16h30 — Roda de samba: “Uma homenagem a Arlindo Cruz”, com Canto do Samba, no Palco Flamengo
Serviço
Local: Palácio do Catete
Horário: Das 10h às 18h
Entrada: Gratuita
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'Dia de los Muertos' é celebrado em evento no Rio com figuras icônicas, luta livre mexicana e mais




