“Se eu quiser falar com Deus, tenho que me aventurar”. O verso de Gilberto Gil poderia ser o mapa de bolso de quem subiu o Monte Cardoso Fontes na manhã de sol de terça-feira, 18. Às margens da Grajaú-Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, uma fila de peregrinos avança em direção ao topo, povoando cada canto com gestos, louvores e até línguas exóticas. O que chama atenção não é apenas a fé, mas a vestimenta escolhida: homens de roupa social, mulheres de vestido ou saia longa e véu. Nos pés, sapatos de couro, sapatilhas ou chinelos de dedo. Nada do figurino esportivo de quem normalmente encara uma trilha de duas horas na Floresta da Tijuca. Eles não estão ali para se exercitar: estão ali para orar.



