O início de um sonho e o fim de um pesadelo. Foi o que viveram John Sorriso, Wend e Bianca Mourão durante o carnaval. Os três fizeram parte da Corte LGBT+ do carnaval carioca após serem eleitos em concurso promovido pela Riotur, em outubro do ano passado. Eles dizem que foram alvo de homofobia, preconceito e segregação durante o reinado.
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O muso John, de 21 anos, conta que os problemas começaram no mini desfile, na Cidade do Samba, em novembro, um mês após integrar a corte. Foi quando ele e os outros integrantes descobriram que iriam desfilar separados do Rei Momo, da rainha e princesas.
“Achei estranho, mas como estávamos iniciando o trabalho, deixei pra lá. Mas isso foi durante todo o contrato”, conta ele.
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Quando chegou aos ensaios técnicos, a corte LGBTQ+ ficou sabendo que não abriria os desfiles das escolas junto com a corte real, como sempre aconteceu:
“Nos colocaram para vir fechando o desfile. Praticamente com o pessoal da limpeza, que, com pena, deixava um espacinho pra gente poder sambar sem varrer nossos pés. Alguns presidentes também permitiram que a gente viesse antes ali da ala das bandeiras, que encerra a escola. E pedimos muito para a Riotur rever isso, mas não adiantou”.
Corte LGBT do Carnaval e Corte oficial
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Wend, muso não binário, diz que já achou “tudo muito estranho” um mês antes dos ensaios técnicos, quando o trio foi redirecionado para o réveillon de Realengo, no subúrbio carioca.
“Soubemos um dia antes que não iríamos para o réveillon de Copacabana com a outra corte e como sempre aconteceu com outras cortes LGBTQ+. Eles sempre faziam isso. Avisavam com 24hs de antecedência pra que não houvesse qualquer manifestação nossa”, relata Wend.
Wend,Pessoa não binária da Corte LGBT do Carnaval
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O bailarino conta que várias cláusulas do contrato que tinham com o concurso não foram cumpridas, como ter um quarto de hotel para cada um deles, separados, durante o período dos desfiles, cinco dias, na Sapucaí. O trio ocupou o mesmo espaço com apenas um banheiro.
Por essas e outras, John quase desistiu, como fez Viviane Carvalho, sendo substituída por Bianca.
John Sorrso muso da Corte LGBT do Carnaval
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“No ensaio técnico da Série Ouro, primeiro dia, combinamos de vestir capas. Ao final do evento, um segurança avisou que o presidente proibiu o uso das capas nos ensaios futuros. A gente não entendeu nada, não houve justificativa”, conta ele, que teve outro problema no ensaio técnico da Portela:
“Para os do Especial, a gente combinou de homenagear os enredos. Então, a cada escola tinha troca de roupa. No da Portela, fui de Exu de Obará, porque havia contexto. Mandaram tirar a roupa. Eu chorei tanto que nem ia entrar mais. Foi Wend que me ajudou e tem tudo gravado”.
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Tanto Wend quanto John são categóricos em dizer que foram alvo de homofobia, preconceito, maus-tratos e segregação. Num vídeo gravado por Wen e compartilhado nas redes sociais, o muso lista tudo o que aconteceu nos dias de folia para muitos e trabalho para eles.
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A Corte LGBT+ recebeu o apoio de musas e rainhas de bateria:
“Eu sinto muitooo por vocês! Me coloco à disposição para que vocês sejam tratados como merecem… como realezas! Um beijo com carinho”, Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira
“Sinto muito por tudo isso. Que novas oportunidades surjam no seu caminho e que te valorizem, te respeitem e reconheçam tudo o que você é e entrega”, Belinha Delfim, musa da Viradouro
“Sinto muito. Não sei exatamente como tudo aconteceu, mas isso tem que mudar!… Parabéns por sua conquista e que venham muitas mais, com mais respeito e reconhecimento”, Juliana Alves, atriz e rainha da Unidos da Tijuca
“Triste tudo isso! Vocês brilharam muito mesmo nesse carnaval e parabéns pela coragem, estamos com vocês”. Rebecca, cantora e musa do Salgueiro
“Você é talento, samba extraordinário; merece todo respeito, todos e todas devem ser respeitados… Lastimável o que você relata e viveu. Que suas falas possam ecoar além de reflexões, ações sempre respeitosas e muito valor a quem é do samba, e faz o espetáculo acontecer”. Quitéria Chagas, Rainha de bateria do Império Serrano
“Que triste tudo isso, vocês foram incríveis mesmo com todo esse desrespeito. Desejo a vocês as melhores coisas dessa vida, são merecedores por tamanha coragem de permanecer ali diante de todo esse absurdo!”, Carmen Mondego, musa da Viradouro
Procurados pelo Extra, a assessoria e o presidente do órgão não retornaram o contato. Bianca também preferiu não dar entrevistas, mas em seu perfil no Instagram, ela faz coro com os amigos sobre as denúncias.
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Corte LGBT+ do carnaval do Rio denuncia homofobia e maus-tratos e recebe apoio de musas e rainhas



