A atriz, por sua vez, se diz emocionada ao falar sobre o disco: “Às vezes, eu tenho a impressão de que nasci na época errada, principalmente quando se trata de música. Me lembro que quando conheci o Nirvana, eu era muito nova, mas já tinha passado por muita coisa na minha vida e desde cedo tinha que ser precoce, uma criança precoce. Aliás, eu nasci de oito meses. Bebê precoce. Aos 9 anos, comecei a fazer teatro, lidava com muitos adultos a minha volta, muitos gostos musicais, muito jazz, muito rock, muito samba. Quando eu voltei a morar em Natal, aos 10 anos, conheci o álbum ‘Nevermind’. Foi como um acolhimento, uma sensação de pertencimento, porque tinha essa sensação de que eu não fazia muito parte do todo. Eu já era uma carioca morando em Natal, uma criança que fazia teatro. Aos 10 anos fiz minha primeira tatuagem. Não deixaria minha filha fazer, mas, enfim, eu, apesar de não entender ainda todas as letras, mesmo assim eu lembro que me esforçava muito com dicionário de inglês, para entender o que ele estava cantando. Quando ouvia a voz rouca do Kurt, quando ele cantava calmo, quando gritava, quando ouvia o baixo, o solo de guitarra, eu me sentia pertencendo. E logo em seguida ele morreu. Foi como um soco no estômago. Um vazio. Eu fiquei muito revoltada. Poxa, agora que eu conheci, me identifiquei, ele morre? Mas de certa forma, eu fui cada vez mais fiel e mais em busca de outras músicas, outros álbuns. Mas o ‘Nevermind’ marcou muito minha vida. E até hoje é um dos melhores discos do mundo pra mim. E tem um reconhecimento. Eu sei que muita gente acha essa coisa de signo besteira, mas sou pisciana como o Kurt, e sinto muito a dor do outro, a falta de pertencimento. Falar desse disco pra mim é como falar um pouco de mim mesma. É muito potente. Kurt, suas letras, tudo o que ele quis dizer, e disse, e muita gente não entendeu. Sua arte, seu amor pelos bichinhos, sua proteção pelas mulheres. Nirvana é uma banda que mora no meu coração eternamente”.



