Câmara submissa, pressa para aprovar venda bilionária expõe alinhamento da CLDF a Ibaneis e Gustavo Rocha

A pergunta que circula nos corredores da Câmara Legislativa do Distrito Federal já não é se o projeto passa, mas até que ponto a Casa continuará funcionando como extensão do Palácio do Buriti.

O que se vê é mais um capítulo da relação de dependência entre o Legislativo local e o governador Ibaneis Rocha, tendo como operador político seu principal articulador, Gustavo Rocha. A ordem é acelerar. Debater depois — se sobrar tempo.

A venda de doze imóveis públicos em áreas estratégicas do Distrito Federal não é um detalhe administrativo. Trata-se de patrimônio coletivo, construído com recursos da população, incluindo estruturas de alto valor como o CETRAD e áreas próximas ao Parque Ecológico Ezechias Heringer. Mesmo assim, a tramitação ocorre sob pressão, em ritmo relâmpago, como se questionar fosse um ato de rebeldia.

Deputados da base governista até ensaiam desconforto nos bastidores. Falam em desgaste, em risco eleitoral, em cautela. Mas, no plenário, a prática tem sido outra: alinhamento automático. A Câmara que deveria fiscalizar se limita, na maioria das vezes, a referendar.

A oposição, reduzida numericamente, tenta tensionar o debate e expor o que classifica como possível dilapidação do patrimônio público. Ainda assim, o peso da máquina política fala mais alto. E quando se fala em “rebelião” da base, cogita-se não um voto consciente contrário, mas ausências estratégicas para evitar constrangimento — um gesto que revela mais cálculo eleitoral do que independência institucional.

A questão central deixa de ser apenas o mérito do projeto. O que está em jogo é a autonomia do Legislativo. Uma Câmara que corre para aprovar bilhões sem amplo debate público cumpre seu papel constitucional ou apenas chancela decisões já tomadas no Executivo?

Se a votação confirmar a pressa e o alinhamento irrestrito, ficará a imagem de uma Casa submissa, onde a fidelidade ao governo se sobrepõe à responsabilidade com o patrimônio da população. E, nesse caso, o desgaste não será apenas eleitoral — será institucional.

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