A vitória da Noruega por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim colocou no caminho do Brasil não apenas um dos maiores goleadores do futebol mundial, mas também um antigo desafeto de Gabriel Magalhães. A partida das oitavas de final, marcada para domingo, às 17h, no estádio de Nova York/Nova Jersey, promete transferir para a Copa do Mundo uma disputa que se tornou atração particular dos confrontos entre Arsenal e Manchester City.
O capítulo mais recente ocorreu em 19 de abril, numa vitória do City por 2 a 1 que esquentou a reta final da Premier League. Haaland marcou o gol decisivo e travou com Gabriel uma batalha física durante praticamente toda a partida. Teve puxão, empurrão, a roupa térmica do norueguês rasgada e, já nos minutos finais, um choque em que o brasileiro encostou a cabeça no adversário. Os dois receberam cartão amarelo, e o VAR considerou que a atitude de Gabriel não teve intensidade suficiente para justificar a expulsão.
Depois do jogo, Haaland aumentou a temperatura ao afirmar que Gabriel deveria agradecê-lo por ter permanecido de pé. Segundo o atacante, uma queda mais teatral provavelmente teria provocado a expulsão do brasileiro. O norueguês, porém, também tratou o episódio como consequência natural de um duelo entre um centroavante e um zagueiro que não costumam aliviar nas divididas.
A implicância vem de antes. Em setembro de 2024, após o gol de empate do City nos acréscimos de um 2 a 2, Haaland recolheu a bola dentro da rede e a arremessou contra a parte de trás da cabeça de Gabriel, que estava de costas. Na mesma noite, o atacante ainda mandou o técnico Mikel Arteta “manter a humildade”. Meses depois, na goleada do Arsenal por 5 a 1, Gabriel comemorou o primeiro gol gritando diante do rosto do norueguês, numa espécie de resposta pública à provocação anterior.
A rivalidade não eliminou o respeito. Em entrevista concedida durante a última temporada, Gabriel apontou Haaland como o adversário mais difícil que já enfrentou na Premier League. O atacante, por sua vez, definiu o brasileiro como um desafio de que gosta. São jogadores construídos para o mesmo pedaço do campo: um atacante de força incomum, que busca o contato antes de atacar a área, e um zagueiro agressivo, especialista em antecipar e transformar cada disputa numa questão pessoal.
No domingo, a rixa atravessará o Atlântico e ganhará uma dimensão inédita. Pela primeira vez, Haaland e Gabriel não estarão defendendo concorrentes pelo título inglês, mas seleções separadas por um jogo eliminatório de Copa do Mundo. Entre empurrões, provocações e elogios, o duelo individual pode ajudar a decidir quem continuará correndo atrás da taça.



