Bieber, Shakira, Madonna, Muppets e BTS transformam Copa do Mundo em ‘Super Bowl’


Comparar o show do intervalo desta Copa do Mundo com o Super Bowl já caiu até em um lugar comum, mas não há como fugir da comparação. Todos os esforços da final foram uma tentativa de equiparar o maior torneio de futebol do planeta ao “football” que os americanos conhecem e conseguem se relacionar.

Apesar da tentativa, a final da Copa parecia uma final de NFL que mais focou na contratação de artistas e ficou sem verba para o cenário. A preparação do campo foi simples: apenas uma grande lona colorida, usada com propósito na última apresentação do intervalo, do grupo londrino Coldplay.

Madonna abriu o show do intervalo ao som de “Music” e acompanhada de duas estrelas brasileiras: Ronaldo e Ronaldinho passaram pelo túnel que leva ao campo com a cantora num grande bugre. Assim que chegaram ao gramado, os Muppets entraram em cena, com uma versão instrumental de Seven Nation Army.

O liquidificador de referências ficou ainda mais lotado com a presença do grupo sul-coreano pop BTS. Ao som do sucesso “Dynamite”, o grupo tomou o centro do campo enquanto a equipe da Noruega repetia a famosa remada, que ficou marcada durante a Copa.

A segunda parte do show principal começou após introdução do ator Jason Sudekkis. Com as vestes de seu personagem em Ted Lasso, ele autorizou a entrada de Justin Bieber em campo. O canadense trouxe “EVERYTHING HALLELUJAH” apenas em voz e violão para o centro do gramado do MetLife Stadium.

Shakira (sempre ela!) entrou em campo com o nigeriano Burna Boy e cantou o segundo tema principal desta Copa, “Dai Dai”.

Após a apresentação da Colombiana, Pelé apareceu nos telões, repetindo o “love, love, love”, presente no discurso do último jogo de sua carreira, no Cosmos. O Coldplay fechou o show do intervalo com uma música feita especialmente para a final da Copa, ao lado de muitas crianças do PS22 Chorus, grupo de coral infantil dos Estados Unidos — que deixaram o grupo praticamente escondido em campo.

Antes do grandioso show do intervalo, a abertura da partida já demonstrava o esforço da Fifa em transformar a final da Copa do Mundo numa grande miscelânea de eventos estadunidenses.

O cantor Post Malone, o rapper Swae Lee e o influenciador IShowSpeed abriram os trabalhos. “Speed”, como é conhecido na internet, cantou a música “Champions”, lançada por ele em junho deste ano em celebração à Copa do Mundo norte-americana. Embalado pelo refrão repetitivo “essa é a Copa do Mundo” e bastante playback, o influenciador concluiu a primeira apresentação do dia.

Depois dele, Post Malone e Swae Lee entraram em campo para cantar “Sunflower”, popularizada pelo filme “Homem-Aranha no Aranhaverso”, acompanhados, também, de bastante playback.

Jennifer Hudson foi a primeira a mostrar que quem sabe mesmo faz ao vivo. A cantora e atriz norte-americana trouxe o hino dos Estados Unidos para o gramado do MetLife Stadium, repetindo a sua própria posição de destaque na abertura do jogo festivo das estrelas da liga americana de beisebol. Na ocasião, há cinco dias, Hudson cantou “America the Beautiful”, considerado o hino nacional não oficial dos Estados Unidos.

Depois de nos lembrarmos que a Copa do Mundo acontece nos Estados Unidos — como se todas as 78 partidas realizadas no país, dentre as 104 totais, não fossem suficientes para afirmar ao mundo que o torneio queria ser americano — nos lembramos também de que, sim, assistimos a um torneio da Fifa.

Laura Pausini, Robbie Williams e Nicole Scherzinger foram ao centro do campo para cantar o hino oficial desta Copa: “Desire”, que conta com a participação dos três cantores e composição de Williams.

Após a quarta apresentação — todas anteriores aos hinos oficiais dos países que entrariam em campo na final — Iniesta (Espanha) e Mario Kempes (Argentina) realizaram a cerimônia — essa mais comum — de posicionamento da taça em campo. Os dois foram protagonistas de conquistas das suas seleções: Iniesta, responsável pelo gol que garantiu a vitória da Espanha sobre a Holanda na Copa de 2010, e Mario Kempes, que marcou seis gols na campanha do primeiro título argentino em Copas, em 1978.

E ainda teve mais… o ator Tom Cruise entrou em campo e, num discurso emocionado, mostrou que também sabe defender o futebol, assim como as transmissões cinematográficas em salas de cinema.

— 48 países começaram essa jornada, romperam barreiras, oceanos, e nos mostraram porque esse jogo pertence ao mundo. Compartilhamos momentos de alegria, esperança […] e hoje temos um último capítulo para celebrar esse torneio. Isso é união, isso é grandeza — disse o ator, que já tinha protagonizado algumas campanhas promocionais do filme Digger relacionadas à Copa do Mundo. A produção é uma parceria inédita entre Cruise — que nunca venceu um Oscar — e Alejandro González Iñárritu, vencedor do Oscar de melhor filme com Birdman, em 2015, e ajudou o ator Leonardo DiCaprio a vencer um Oscar com O Regresso, em 2017.

Só depois do discurso, Argentina e Espanha cantaram seus hinos, se posicionaram em campo, presenciaram o famoso “IIIIIIIT’S TIME!” de Bruce Buffer e só não acharam que uma luta do card principal do UFC estava prestes a começar porque a bola já estava no centro do gramado.



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