Bayern derrota o Real Madrid em jogaço de sete gols e vai à semifinal da Champions


O favoritismo, o time considerado mais forte, a vitória no jogo de ida em pleno Bernabéu e um histórico de apenas uma derrota em casa nesta temporada. O Bayern de Munique tinha muita coisa a seu favor antes de encarar o Real Madrid, nesta quarta-feira, pelo jogo de volta das quartas de final da Champions League. Mas precisou de todo o seu poder de fogo para superar o ‘caos’ organizado que os espanhóis costumam promover em jogos decisivos da competição: fez 4 a 3 para avançar à semifinal depois de dois anos, e agora encara o PSG.

Na outra partida do dia, Arsenal e Sporting ficaram no 0 a 0. Os ingleses, que já haviam vencido por 1 a 0 em Lisboa, enfrentarão o Atlético de Madrid na semifinal.

É verdade que o experiente e consagrado goleiro Neuer deu boa parte da emoção para o jogo. Falhou duas vezes, uma nos primeiros segundos, e outra em cobrança de falta, que renderam dois gols de Arda Guler em momentos-chave do primeiro tempo, o 0 a 0 e o 1 a 1. O Real Madrid, que nada tinha com isso, sentiu o “cheiro de sangue” e foi pelo caminho que conhece no torneio que venceu 15 vezes: aproveitou os minutos de fragilidade e desorganização para explorar contra-ataques perigosíssimos e tocar seu caos.

Mas o futebol foi mais absoluto do que relativo nesta quarta, na Allianz Arena. O ataque de agora 157 gols em 46 jogos do Bayern apareceu quando o técnico Vincent Kompany mais precisava: no gol de Harry Kane que fez o 2 a 2 e nos gols decisivos de Luis Díaz e Olise já no fim da partida, com um a mais e quando perdia por 3 a 2, carimbando a vaga e rendendo ao Madrid de Alvaro Arbeloa a eliminação. A expulsão de Camavinga, minutos antes, rendeu muita reclamação.

A Allianz Arena viu um dos primeiros tempos mais movimentados desta edição na Champions, permeado por trocas de investidas ofensivas e cinco gols. Com 36 segundos de jogo, Arda Guler já havia aberto o placar, em falha bizarra de Neuer, que errou na saída de bola e viu o turco acertar, de primeira e com muita qualidade, o gol aberto.

Poucos minutos depois, o Bayern mostrou por que só foi derrotado uma vez em casa nesta temporada: empatou em cobrança de escanteio fechada de Kimmich que encontrou Pavlovic. O goleiro Lunin ficou no meio do caminho.

O gol parecia ter devolvido ao Bayern um controle maior da partida, que ganhou contornos mais “normais”. Os alemães trocavam passes com espaço enquanto o Real Madrid tentava defender de forma mais cautelosa, mas arriscada, sem subir muito a linha de pressão. Só que uma uma nova falha de Neuer, novamente contra Arda Guler, desta vez cobrando falta, voltou a colocar fogo no jogo. Era o 2 a 1.

As trocas de passes com liberdade do Bayern no último terço e uma desatenção de Trent Alexander-Arnold acabaram rendendo o empate. Upamecano encontrou passe improvável, rasteiro e pelo meio da área, para Harry Kane ficar de frente para Lunin e balançar as redes. Foi seu 55º gol na temporada e 12º na Champions.

Mas se o caminho não havia sido fácil para o Bayern desde o primeiro minuto de jogo, Vinicius Junior e Mbappé, que cresceram à medida que o Madrid ganhava as oportunidades que queria na transição, trataram de voltar a incendiar a partida novamente, em boa jogada do brasileiro, que encontrou o francês para fazer 3 a 2 e voltar a colocar a decisão nos pênaltis.

Num segundo tempo com as duas equipes mais desgastadas e cautelosas, o Bayern tentava machucar os espanhóis em jogadas na entrada da área e chutes de média distância, principalmente com Olise.

Camavinga, que entrou no segundo tempo para dar mais fôlego ao meio merengue, acabou mudando o jogo negativamente. O volante, que já havia levado um primeiro cartão amarelo por parar contra-ataque com falta, levou o segundo ao fazer falta e pegar a bola para atrasar a cobrança, em decisão rigorosa do árbitro.

A partir dali, com um a menos, o Real Madrid perdeu qualquer fagulha que poderia criar seu caos. E viu o tal poder de fogo do Bayern fazer a diferença: Luis Díaz empatou a partida e Olise sacramentou a virada e a vaga, ambos em chutes cruzados e precisos, em dois belos gols. Com um dos melhores conjuntos de sua história recente, o Bayern volta à semifinal da Champions depois de dois anos.

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