'Avançou na nossa direção': policial dos EUA que matou filhote de burro quebra o silêncio e alega falha em arma de choque

​O caso da morte do burrinho HeeHaw, abatido a tiros dentro do próprio pasto durante uma operação policial em Rockmart, na Geórgia (EUA), ganhou um novo capítulo. O agente Trenton Garner, responsável pelo disparo fatal contra o animal de apenas um 1 de idade, quebrou o silêncio e apresentou sua versão oficial dos fatos em um relatório obtido pelo jornal “NY Post”, alegando que abriu fogo para se defender após uma tentativa frustrada de usar força não letal.
De acordo com o depoimento de Garner, que atua na corporação de Cedartown desde julho de 2023, o incidente ocorreu por volta das 0h45 de domingo no rancho Elsberry Riding and Farm, onde equipes com cães farejadores buscavam por uma garota de 12 anos desaparecida. Ao entrarem na propriedade após rastrearem pegadas, os agentes assustaram animais com a sua movimentação.
“Enquanto estávamos seguindo a cerca, os cavalos no pasto se assustaram e correram para longe de nós, atravessando o pasto. Nesse momento, o condutor de cães policiais, Thomasson, afirmou haver um burro na encosta da colina. O burro então começou a avançar na nossa direção”, relatou o agente.
O policial explicou que o parceiro tentou intervir imediatamente com uma arma de choque elétrico contra o animal, mas o equipamento falhou. Diante da aproximação contínua, Garner decidiu recorrer à arma de fogo funcional.
“Aquilo [o taser], na verdade, não deteve o burro, então saquei minha Glock 17, arma de serviço do departamento, e apontei para o burro. Em seguida, disparei um único tiro, atingindo o animal”, detalhou o oficial.
Animal se chamava ‘HeeHaw’, em homenagem ao desenho animado de mesmo nome, que tinha um pequeno burro como protagonista
Reprodução/GoFundMe
Baleado, o filhote ainda tentou correr morro acima, mas caiu morto metros adiante. Pouco depois da tragédia, a criança que era procurada e a verdadeira motivação da ocorrência, acabou sendo encontrada ilesa em uma igreja vizinha.
​A justificativa de ameaça apresentada por Garner, contudo, entra em conflito com a revolta da tutora, Hannah Israel. Ela declarou aos próprios agentes no local que “o burro jamais agiria de forma agressiva com alguém, nem tentaria morder ninguém”. Nas redes sociais, arrasada e prometendo levar o caso à Justiça, ela desabafou sobre a perda do animal.
“Policiais entraram no meu pasto procurando por uma pessoa desaparecida sem permissão ou aviso prévio e atiraram e mataram meu burrinho bebê, que havia sido criado com mamadeira. HeeHaw foi criado dentro de casa e em zoológicos de animais de estimação, ele nunca conheceu um estranho. E foi baleado e morto em seu próprio pasto por fazer o que os burros fazem: alertar sobre um estranho. Estamos com o coração partido. Ele era meu filho.”
Hannah ainda divulgou imagens do animal morto e um registro em vídeo gravado três dias antes, em que o dócil HeeHaw corria afetuosamente para os braços dela. Com a repercussão explosiva da versão apresentada pela polícia, o chefe do Departamento de Cedartown, Jamie Newsome, confirmou que Garner foi afastado do trabalho de rua sob licença administrativa e responderá a um inquérito independente aberto pelo Departamento de Agricultura da Geórgia.
*Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira



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