Arqueólogos encontram 24 peças conhecidas como “línguas de ouro” dentro de bocas de múmias em tumbas no Egito

Arqueólogos egípcios encontraram 18 novas tumbas em um sítio arqueológico na cidade de Marina El Alamein, descoberto em 1986. Durante as escavações, também foram localizadas 24 peças de ouro colocadas na boca de alguns dos mortos.
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Conhecidos como “línguas de ouro”, esses objetos estavam associados às tradições funerárias dos períodos ptolomaico, entre 322 e 30 a.C., e romano, entre 30 a.C. e 395 d.C.
Os túmulos apresentam diferentes projetos arquitetônicos. A equipe também identificou sepultamentos superficiais, sarcófagos e diversos artefatos. Algumas das estruturas estão em estado de conservação excepcional.
Mohamed Abdel Badie, chefe do Setor de Antiguidades Egípcias do Conselho Supremo de Antiguidades, informou que os achados incluem 11 túmulos inteiramente escavados na rocha, conhecidos como hipogeus, com profundidade média de oito metros.
Imagens mostram entrada e profundida dos hipogeus
Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito
Uma das tumbas encontradas pelos arqueólogos
Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito
Dentro deles, os pesquisadores localizaram aberturas funerárias fechadas por placas de pedra que, aparentemente, não eram abertas desde a Antiguidade.
O trabalho arqueológico também resultou na descoberta de objetos como ânforas, lamparinas, pratos, altares e bacias de calcário.
Hisham Hussein, chefe da Administração Central de Antiguidades do Baixo Egito, afirmou que um dos principais achados é um altar de calcário utilizado para a apresentação de oferendas.
Exemplo de sepultamento superficial
Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito
A peça possui uma fachada arquitetônica que imita a chamada “porta falsa”, elemento presente nas crenças funerárias do Egito Antigo. Segundo a tradição, essas estruturas eram representações simbólicas que permitiam a passagem da alma entre o mundo dos vivos e o dos mortos.
Acreditava-se que as “línguas de ouro” permitiriam que os falecidos se comunicassem no mundo dos mortos. Entre os objetos encontrados está uma peça no formato do “Olho de Hórus”, um dos principais símbolos de proteção da religião egípcia antiga.
Um sarcófago de granito com cerca de 2,5 metros de comprimento também foi localizado, ainda com sua tampa original. Em seu interior, foram identificados restos ósseos que estão sendo analisados pelos pesquisadores.
Esfinge e estátua de mármore inacabada (acredita-se ser de Afrodite)
Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito
Próximo à estrutura, a equipe encontrou fragmentos de uma estátua de esfinge feita de gesso. Também foi localizada uma escultura de mármore inacabada que, segundo os especialistas, representa provavelmente a deusa Afrodite.
Acredita-se que o sítio arqueológico de Marina El Alamein corresponda à antiga cidade de Leucaspis, mencionada pelo geógrafo grego Estrabão.
A cidade prosperou entre o período helenístico e a era bizantina, atingindo o auge de sua atividade urbana e econômica durante os três primeiros séculos da era cristã.



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